Preservação ambiental

Mulher plantou 119 mil árvores em antigo canavial e criou floresta com 150 espécies

Tudo teve início em 2015.

Depois de uma década de trabalho ininterrupto, uma área que havia sido desmatada perto de Wonga Beach, em Queensland, se transformou em floresta tropical. A responsável pela mudança foi Annie Schoenberger, que adquiriu o local e promoveu o plantio de 119 mil árvores nativas no espaço onde antes havia um canavial.

Tudo teve início em 2015, quando Schoenberger buscou apoio da Rainforest Rescue, entidade dedicada à recuperação de florestas tropicais. No ano seguinte, nasceu o NightWings Rainforest Centre, sustentado por ações de plantio realizadas todos os anos com a participação de moradores da região.

A recuperação foi planejada com mais de 150 espécies nativas. A maioria produz frutos que atraem aves e morcegos propagadores de sementes.

Como a floresta ganhou vida

A dispersão natural de sementes acelerou a regeneração, e as árvores mais antigas já ultrapassam 10 metros de altura. Ao recuperar uma zona úmida dentro da propriedade, Schoenberger ajudou a formar um corredor ecológico que liga três ambientes distintos: a mata de planície da região do Daintree, a vegetação de altitude e a faixa litorânea. Essa ligação permite que os animais circulem com segurança entre diferentes habitats.

A escolha das espécies foi fundamental para o resultado. Cada variedade foi selecionada para produzir frutos e atrair a fauna que regenera naturalmente a floresta, acelerando processos que levariam décadas sem intervenção.

Fauna rara retorna à região

O casuar-do-sul se tornou símbolo do sucesso do plantio, e um filhote foi avistado na propriedade em novembro de 2018, pela primeira vez em mais de quarenta anos. O avistamento também foi o primeiro registro da espécie ao sul do rio Daintree em mais de quatro décadas.

Em julho de 2022, outro jovem casuar apareceu na mesma área, confirmando que a população está se estabelecendo.

Além dos casuares, a fauna se diversificou, com equidnas, morcegos, lagartos, insetos e várias espécies de aves. Esses animais encontram alimento e refúgio na vegetação densa que cobre o antigo canavial. Dois casuares nasceram na propriedade ou perto dela e circulam pelo local. Dois equidnas vivem na área, enquanto morcegos encontram alimento em uma grande extensão de floresta.

Benefícios para ecossistemas marinhos

A nova floresta também protege a Grande Barreira de Corais. As árvores reduzem o escoamento de sedimentos do solo exposto para os córregos e rios da região. Testes de qualidade da água comprovaram queda significativa de sedimentos e turbidez nos cursos d'água vizinhos, beneficiando diretamente a saúde do recife marinho próximo.

Lições para restauração florestal

O projeto reúne quatro aprendizados para qualquer área degradada, e a persistência foi fundamental: foram dez anos de plantios contínuos, mantidos pela Rainforest Rescue e por Schoenberger sem interrupção. A diversidade reconstruiu a estrutura da floresta tropical com mais de 150 espécies nativas.

A proteção legal também foi essencial: Queensland declarou a área de alto valor de conservação, garantindo sua preservação. A etapa final de plantio contou com a mobilização de voluntários e parceiros, além da presença do ancião Bennett Walker, reconhecido como proprietário tradicional da terra, o que reforçou o caráter coletivo da iniciativa.

Reflexão

Abraham Lincoln: "Seis horas para derrubar uma árvore? Eu passaria quatro afiando o machado"

Cortar um tronco com uma lâmina cega exige mais força.

12/10/2026 13h26

Foto: Reprodução

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Uma frase atribuída a Abraham Lincoln resume uma ideia simples sobre produtividade: de nada adianta correr direto para uma tarefa sem antes se preparar para ela. O ex-presidente americano teria dito que, com seis horas disponíveis para derrubar uma árvore, passaria as primeiras quatro afiando o machado, e a mensagem é direta: preparar-se antes poupa esforço depois.

Cortar um tronco com uma lâmina cega exige mais força e leva mais tempo do que afiar a ferramenta antes.

O que a frase quer dizer

A mensagem atribuída a Lincoln desafia um pensamento comum: o de que trabalhar por mais horas sempre leva a um resultado melhor. Reservar parte do tempo para se organizar pode tornar a etapa seguinte mais rápida e menos desgastante.

No exemplo do machado, insistir em cortar a árvore sem afiá-lo primeiro cobra um esforço físico maior e atrasa a conclusão do trabalho. Parar para preparar o instrumento certo muda completamente a forma como a tarefa é enfrentada depois.

Como aplicar isso no dia a dia

O raciocínio não se limita a cortar árvores. Estudar antes de um exame, planejar um projeto, ordenar as tarefas do dia ou aprender uma nova habilidade são formas de "afilar o machado" antes de começar qualquer tarefa mais pesada.

É comum pensar que parar para planejar atrasa o trabalho. Na prática, esse momento de preparo costuma evitar erros, poupar energia e tornar mais simples resolver o que vem depois.

Preparo também é produtividade

A metáfora do machado afiado propõe uma pergunta antes de medir o volume de trabalho entregue: há ferramentas e conhecimento necessários para executar a tarefa? Sem essa base, qualquer esforço rende menos.

As primeiras horas dedicadas ao preparo, afinal, não são tempo perdido — são parte do trabalho, mesmo que o resultado ainda não apareça. A ideia central é clara: preparar-se também conta como produzir, e usar uma fração do prazo disponível para isso torna o restante mais eficiente.

Antes de mergulhar direto numa tarefa, pode valer mais a pena parar alguns minutos, entender o que é realmente necessário e organizar os recursos disponíveis. Essa pausa estratégica, mais do que atrasar o processo, costuma garantir um resultado melhor.

História

Encontrado na Síria, possível brinquedo mais antigo da história surpreende arqueólogos

Peças foram feitas para entreter e acalmar recém-nascidos durante a Idade do Bronze.

12/10/2026 12h48

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Chocalhos de argila com cerca de 4.500 anos foram encontrados por arqueólogos na Síria e podem figurar entre os exemplares mais antigos já catalogados desse tipo de objeto. Feitas para entreter e acalmar recém-nascidos durante a Idade do Bronze, as peças mostram que o cuidado com as crianças e as formas de distraí-las já tinham espaço na rotina das famílias e no comércio da época.

Por cerca de cem anos, as peças ficaram no acervo do Museu Nacional da Dinamarca sem a identificação correta, registradas por engano como peneiras e tubos de cerâmica. Foi apenas com um novo exame dos fragmentos que se descobriu a verdadeira função deles: acalmar e entreter bebês.

Da peneira ao brinquedo: um erro corrigido

Na década de 1930, equipes de escavação encontraram os fragmentos na antiga cidade de Hama, na Síria, então um importante centro urbano do Oriente Médio. No total, ao menos 21 pedaços identificados pertenciam a chocalhos feitos no começo da Idade do Bronze, num período que vai de 4.500 a 4.000 anos atrás.

Um dos fragmentos com furos havia sido descrito como peneira em registros antigos. Outro pedaço, com formato de cabo oco, foi catalogado como parte de uma tubulação. O erro só foi corrigido com o reexame recente das peças.

Som suave feito para ninar

Pequenas pedras e bolinhas de argila eram colocadas dentro de cada chocalho e produziam o barulho quando o objeto era sacudido, como nos brinquedos de bebê atuais. Testes com um exemplar preservado mostraram que o som era baixo e suave, adequado ao ouvido sensível de recém-nascidos.

A intensidade do ruído também descarta a hipótese de que as peças fossem instrumentos musicais. A localização reforça essa conclusão: os fragmentos apareceram em um bairro residencial, longe de templos ou áreas funerárias da época.

Artesanato vendido em mercados de rua

A composição química do material mostrou que os chocalhos usavam a mesma argila da cerâmica comercial da região. Isso indica que artesãos profissionais produziam as peças e as vendiam como outros itens do cotidiano.

O acabamento cuidadoso e os padrões decorativos no esmalte sugerem que Hama produzia esses brinquedos em grande escala, atendendo também outras cidades próximas. Escavações em pontos vizinhos do Oriente Médio já haviam revelado modelos parecidos, incluindo versões talhadas em formato de animais.

Diversão ou proteção espiritual?

As evidências de uso infantil não encerram a discussão sobre os chocalhos. Pesquisadores ainda avaliam se eles também tinham uma função ritual dentro das casas. Alguns especialistas defendem que o objeto cumpria as duas funções.

Enquanto distraía os bebês, o som do chocalho também poderia funcionar como uma espécie de barreira sonora contra espíritos maus, segundo essa interpretação. Essa dupla função colocaria o item num papel que vai além do simples entretenimento doméstico.

Os achados de Hama entram agora para uma lista restrita de brinquedos antigos encontrados pelo mundo, ao lado de uma miniatura de carruagem de 5.000 anos descoberta na Turquia e de uma cabeça de boneca de 4.000 anos escavada na Itália.

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