Reflexão

Tomás de Aquino: "Se o objetivo do capitão fosse preservar o navio, ele o manteria no porto"

Frase segue ecoando entre quem reflete sobre o medo e as decisões

Uma frase atribuída a Tomás de Aquino, filósofo e teólogo italiano do século XIII, segue ecoando entre quem reflete sobre o medo e as decisões: se o propósito máximo de um capitão fosse preservar o navio, ele o manteria no porto para sempre.

A metáfora do barco parado ilumina um dilema que atravessa qualquer época — o risco de agir versus a ilusão de segurança total. Evitar riscos pode garantir proteção no curto prazo, mas também pode travar exatamente aquilo para o qual alguém foi preparado.

Essa tensão permanece atual porque aparece em decisões que as pessoas enfrentam: vale ficar no conforto conhecido ou é preciso navegar em águas incertas?

O risco como parte do caminho

Para o teólogo, arriscar-se não significa agir sem rumo nem ignorar as consequências. Significa aceitar que a busca por segurança absoluta pode distanciar uma pessoa justamente daquilo que ela pretende alcançar. Essa interpretação se aproxima do projeto intelectual de Tomás de Aquino: unir fé e razão numa mesma estrutura de pensamento, sem tratá-las como inimigas.

A reflexão não defende a imprudência, mas questiona quando a proteção se torna paralisia. Um capitão que nunca solta as amarras do porto não cumpre sua função — navegar. Da mesma forma, uma pessoa que recusa todo risco deixa sua vida e seus objetivos em suspenso indefinidamente.

O propósito acima da proteção

A metáfora do capitão carrega ainda outra camada: proteger algo não pode virar o único objetivo de quem navega, porque isso impede o navio de cumprir a função para a qual existe. Prudência, decisão e busca por um fim ajudam a explicar por que esse raciocínio continua citado em debates sobre o sentido da vida.

Tomás de Aquino entendia que virtude, fé e escolhas pessoais não eram abstrações isoladas, mas elementos que se entrelaçavam nas decisões concretas. Por isso sua reflexão sobre o capitão e o porto resiste ao tempo — ela não oferece respostas prontas, mas convida a pensar sobre o que realmente importa em nossas vidas.

Quem foi Tomás de Aquino

Nascido em 1225 e falecido em 1274, o religioso foi membro da Ordem dos Dominicos. E se tornou uma das figuras centrais da Escolástica, corrente que buscava explicar questões de fé por meio da lógica.

Ele defendeu o papel da razão para alcançar certas verdades e formulou as chamadas cinco vias, um conjunto de argumentos sobre a existência de Deus que marcou a filosofia medieval.

Sua obra mais influente, a Suma Teológica, abordou questões relacionadas a Deus, o conhecimento, a moral, a lei e a natureza humana. A obra é referência para quem estuda filosofia e teologia cristã por tentar organizar de forma sistemática perguntas que a humanidade carrega há séculos.

Um legado que segue navegando

A frase do capitão resiste porque fala de um impasse que ainda hoje aparece nas decisões de quem escolhe entre o conforto do porto e o risco do mar aberto. Não é pergunta apenas de filósofos: é pergunta de quem decide mudar de carreira, de quem enfrenta um desafio inesperado, de quem precisa escolher entre o seguro e o desejado.

Tomás de Aquino não pregava temeridade, mas advertia que a vida plena exige coragem — a coragem de reconhecer que nem toda segurança nos protege, e nem todo risco nos destrói. A verdadeira sabedoria está em navegar com propósito, aceitando que algumas águas precisam ser cruzadas para chegar aonde se quer ir.

Para refletir

Nietzsche: "O sábio deve ser capaz de amar seus inimigos e de odiar seus amigos"

Frase questionava a ideia de que a lealdade exige aceitar tudo daqueles que amamos

08/10/2026 11h15

Gustav Adolf Schultze, 1882 / Wikimedia Commons

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O filósofo alemão Friedrich Nietzsche deixou uma reflexão incisiva sobre a amizade: o sábio deve ser capaz não apenas de amar seus inimigos, mas também de odiar seus amigos. Para Nietzsche, a frase não promovia o desprezo, mas questionava a ideia de que a lealdade exige aceitar tudo daqueles que amamos.

Para ele, o afeto não pode servir como desculpa para abandonar o pensamento crítico. A frase aparece em Assim Falou Zaratustra, em que o personagem central desafia seus discípulos a seguir o próprio caminho e a revisar até mesmo os ensinamentos do mestre. O propósito é claro: admiração e proximidade não devem transformar ninguém numa figura acima de questionamentos.

Lealdade e o risco de perder o juízo próprio

Nietzsche alertava contra o perigo de justificar qualquer ação apenas porque vem de um amigo. Defender alguém sem analisar seus atos pode bloquear conversas necessárias e criar contradições — o que se condena num desconhecido, tolera-se num ser querido. Essa confusão aparece ao desculpar um erro pela amizade duradoura, aceitar opiniões sem avaliá-las ou enxergar qualquer discordância como traição.

Nietzsche distinguiu o afeto da aprovação cega, e a verdadeira amizade não exige renunciar à honestidade nem à autonomia de pensamento. Questionar a conduta de alguém não implica rejeitar a pessoa — é possível separar a crítica do ataque pessoal.

Discordar como forma de cuidado

Para Nietzsche, discordar de um amigo pode ser um ato de atenção. Alertar sobre consequências de uma ação, em vez de encorajá-la sem ressalvas, é uma maneira de acompanhar com responsabilidade.

Nessa dinâmica, falar com clareza é essencial quando algo relevante está em jogo. Isso inclui explicar por que algo é problemático, descrever o fato antes de julgar intenções e ouvir a resposta do outro.

Também faz parte dessa honestidade reconhecer quando uma informação nova muda a perspectiva e estabelecer limites diante da pressão para aceitar o inaceitável. O pensamento crítico deve voltar-se para si mesmo: admitir erros, revisar convicções e corrigir o julgamento, mesmo depois de defendê-lo com firmeza.

Amizade fundada na liberdade e na honestidade

A provocação de Nietzsche faz sentido quando aponta o risco de transformar admiração em obediência. Uma relação robusta não precisa apagar diferenças nem evitar perguntas incômodas — quando há espaço para divergência, cada um permanece responsável por suas próprias opiniões e livre para pensar.

Apoiar um amigo significa ouvir, reconhecer conquistas e também apontar comportamentos prejudiciais, porque a honestidade preserva a autonomia até nos vínculos mais próximos.

Em alerta

Alerta nacional: Ciclone se forma no Brasil e preocupa 5 estados

Ciclone extratropical deve se formar nos próximos dias

08/10/2026 10h27

Foto: Atlantic Ambience/Pexels

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Um ciclone extratropical deve se formar no próximo sábado (10), entre o litoral do Sul do país e o Uruguai, impulsionado por uma frente fria que já avança sobre o continente.

O fenômeno se soma a um cavado — faixa de baixa pressão que intensifica as chuvas — e deve espalhar temporais e rajadas de vento por 13 estados durante a semana. O Rio Grande do Sul concentra o maior risco: em alguns pontos, a chuva pode superar 150 milímetros até sexta-feira (9).

Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro também entram na rota do mau tempo, com volumes que preocupam moradores de áreas sujeitas a alagamento.

Como será a semana no Sul

O Paraná e o litoral norte catarinense registraram a chuva mais forte na terça-feira (6). O Rio Grande do Sul, por sua vez, terá agravamento gradual, com o pico da instabilidade sendo nesta quinta (8) e sexta-feira (9), quando o cavado ganha força e abre caminho para o ciclone de sábado (10).

Esse sistema deve puxar mais umidade para a região e alimentar tempestades no noroeste e no centro gaúcho, no meio-oeste catarinense e no leste paranaense. Em Chapecó, os acumulados podem chegar perto de 100 milímetros, enquanto o Paraná deve registrar algo próximo de 90 milímetros entre as porções leste e oeste do estado.

 

Risco de alagamento em áreas vulneráveis

Tanta chuva concentrada em poucos dias aumenta a chance de rios e córregos transbordarem, além de deslizamentos em encostas e regiões já fragilizadas.

Por isso, quem mora perto de encostas ou costuma enfrentar vias alagáveis deve redobrar a atenção. Enquanto o Sul se prepara para o pico da instabilidade, São Paulo, Minas Gerais. E o Rio de Janeiro seguem sob um corredor de umidade ligado à mesma frente fria que avançou ontem, terça-feira (6).

Nesta quarta-feira (7), pancadas fortes e temporais à tarde são esperados em praticamente todo o território paulista, em boa parte de Minas Gerais e no centro e sul fluminense.

Sudeste e Centro-Oeste também entram na rota

Na quarta-feira, o Rio de Janeiro e trechos do Triângulo Mineiro concentram os maiores volumes da semana, com estimativas acima de 90 milímetros no leste Mineiro e na região central fluminense. A força da chuva diminui no Sudeste a partir desta quinta e sexta, mas pancadas isoladas ainda podem surpreender São Paulo e o oeste Mineiro.

No Centro-Oeste, o Mato Grosso do Sul e o sul de Goiás despontam entre as áreas mais atingidas. Ontem, na terça-feira (6), o leste sul-mato-grossense e o sul do Mato Grosso receberam a chuva mais intensa.

A partir desta quinta-feira (8), a instabilidade se espalha por Mato Grosso do Sul, com acumulados que podem superar 50 milímetros até o fim da semana.

A fronteira amazônica também entra no radar, e ontem, terça-feira (6), tempestades atingiram o oeste do Amazonas e avançaram à noite sobre o Acre e o norte de Rondônia. Entre quinta e sexta-feira, a instabilidade se concentra principalmente no Acre e em Rondônia, enquanto o oeste do Amazonas ainda pode registrar chuva.

Com a chegada do ciclone extratropical no próximo sábado (10), cidades do noroeste gaúcho devem enfrentar rajadas de vento acima de 100 km/h.

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