A cidade de Viradouro, no interior de São Paulo, se tornou um exemplo preocupante do avanço da obesidade no Brasil e está no centro do debate sobre a possível incorporação de medicamentos à base de semaglutida, como o Ozempic, ao Sistema Único de Saúde (SUS). A discussão ganha força diante de dados que apontam níveis elevados da doença, especialmente em municípios de pequeno e médio porte do país.
Os números do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) evidenciam a gravidade do cenário local. Na cidade, 77,41% dos pacientes acompanhados pela rede pública apresentam sobrepeso ou obesidade, colocando o município entre os mais afetados no estado. Embora o levantamento considere apenas pessoas atendidas pelo sistema público, especialistas indicam que ele reflete uma tendência mais ampla.

A obesidade atinge com maior intensidade populações vulneráveis, inclusive em regiões de um estado economicamente forte como São Paulo.
Com cerca de 17 mil habitantes e localizada a quase 400 km da capital, Viradouro mantém características típicas do interior, com rotina tranquila e vida comunitária ativa. Ainda assim, os dados de saúde mostram um contraste importante, revelando que o problema avança mesmo em cidades menores.
Pacientes do SUS de cidade paulista possuem alto índice de obesidade
Segundo o Ministério da Saúde, a obesidade é definida com base no Índice de Massa Corporal (IMC), calculado pela relação entre peso e altura. A partir de 30, o índice já indica obesidade, que pode ser classificada em diferentes graus. Nesse contexto, a possível chegada de novos tratamentos ao SUS surge como alternativa relevante, mas também levanta discussões sobre acesso e prevenção.
“O sobrepeso e a obesidade aumentam muito o risco de várias doenças importantes. A gente está falando desde diabetes tipo 2, colesterol alto, gordura no fígado e doenças cardiovasculares, como infarto e AVC, até alguns tipos de câncer. Além disso, existem impactos mecânicos, como dor nas articulações, apneia do sono, refluxo, e também consequências emocionais, como estigma, baixa autoestima e depressão”, afirma Luiza Vercelli, médica residente em Medicina do Esporte no IAMSPE.





