Nos últimos dias, usuários que utilizam os serviços do Banco do Brasil foram surpreendidos com uma campanha condenando a instituição financeira. Por meio de falsas mensagens compartilhadas no WhatsApp, o pânico foi instaurado, principalmente diante das alegações de que o dinheiro depositado estava sendo desviado.
Em meio ao caos criado, a Advocacia-Geral da União (AGU), acionada pela Procuradoria do Banco Central (BC), enviou uma notícia-crime à Polícia Federal pedindo abertura de uma investigação. De acordo com a Palver, plataforma de monitoramento, mais de 100 mil grupos públicos no WhatsApp e 5 mil no Telegram estão sendo analisados.

“A maior parte das mensagens tinha como objetivo principal causar pânico, uma vez que esse é um tema bastante sensível para a população brasileira, vide o fantasma da inflação e do confisco das poupanças”, analisa o cientista de dados Lucas Cividanes, da área de inteligência e análise da Palver.
Como o ataque ao Banco do Brasil começou?
O dano à instituição financeira está diretamente ligado a questões políticas. Diante das investigações envolvendo o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, Alexandre de Moraes se tornou um dos pivôs da tentativa de prejudicar o Banco do Brasil. Mas como isso é possível?
Como forma de condenar a “caça às bruxas” contra o representante do Partido Liberal (PL), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sancionou Moraes à Lei Magnitsky. Sobretudo, a medida tem por finalidade enquadrar estrangeiros que promovem violação dos direitos humanos.
A imposição foi baseada no posicionamento do ministro de pedir a suspensão de contas e redes sociais que desrespeitaram decisões judiciais no Brasil. As sanções da Magnitsky visam estrangular financeiramente o alvo e incluem congelamento de bens nos EUA e proibição de qualquer pessoa ou empresa dos EUA de realizar transações econômicas com o indivíduo.
Nesse momento, o Banco do Brasil entrou no esquema de fake news por ser o canal por onde todos os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) recebem seus salários. Enxergando a possibilidade de mobilizar um número maior de apoiadores, bolsonaristas ingressam na empreitada, afirmando que os valores da população estavam sendo desviados para Alexandre.
Danos causados à instituição
Embora as investigações estejam em curso, os danos causados ao BB destacaram a potência que as notícias falsas podem oferecer. De acordo com a Palver, a instituição teve um lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões no segundo trimestre de 2025, o que corresponde a 60% menos que o registrado no mesmo período do ano passado.
Entre os motivos, é válido destacar a alta na inadimplência de pessoa física e do agronegócio, já que o banco é o maior financiador do setor do país. Devido à onda de recuperações judiciais, opositores reforçaram o pedido de boicote somado ao “apoio” ao ministro do STF.
“A lógica de atuação do ecossistema de extrema-direita nos aplicativos de mensagens vive de aberturas de janelas de oportunidade. As narrativas buscam sempre se aproveitar de um fato político que possa explorar algum medo difuso existente na sociedade e soma-se a isso alguma camada conspiratória. Podemos dizer que é uma “tempestade perfeita”, mas há método para encontrá-la”, afirma Lucas Cividane.





