Santa Catarina recuperou uma tradição que marcou o cotidiano das famílias brasileiras nas décadas de 1930 e 1940: a carne na lata. O alimento típico do interior foi oficialmente registrado pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), por meio do Serviço de Inspeção Estadual (SIE).
O registro representa um marco na valorização da cultura alimentar do Estado e garante que o produto chegue ao consumidor com segurança e qualidade.
Agroindústria familiar e pioneirismo em Xanxerê
A agroindústria Carnes Arvoredo Ltda., de Xanxerê, foi a primeira a obter o registro da carne na lata, sob o número SIE 416. O produto é feito com carne suína temperada, cozida e conservada em sua própria gordura.
O sócio Roberto Carlos Meneguzzi explica que o reconhecimento da Cidasc resgata um costume passado de geração em geração. Ele afirma que, quando criança, esse prato era presença constante nas refeições da família, e revivê-lo é uma forma de manter viva a história de seus pais e de sua comunidade.

Tradição, técnica e conservação natural
A carne na lata é preparada com cortes suínos fritos lentamente até atingir o ponto ideal e depois armazenados em latas cobertos com a gordura quente. O método, semelhante ao confit francês, cria uma camada protetora natural e permite conservar o alimento por longos períodos, sem refrigeração.
Antes da popularização das geladeiras, essa técnica era essencial nas zonas rurais de diversos estados brasileiros, garantindo o armazenamento seguro da proteína animal.
A lembrança do passado e o olhar do Governo Estadual
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, destacou em vídeo nas redes sociais que até a década de 1950 não existiam geladeiras elétricas em boa parte das residências. Por isso, a carne de porco na lata era uma solução prática e muito apreciada nas mesas brasileiras.
Ele ressaltou que o retorno dessa tradição reforça a importância de valorizar as práticas alimentares regionais que fazem parte da identidade do Estado e da história do país.





