Embora seja considerado um dos alimentos mais produzidos no Brasil, o café pode sofrer uma baixa em sua disponibilidade para o mercado nacional e internacional em um futuro não muito distante. Isso porque as ondas de calor e a seca histórica tornaram o cenário de cultivação prejudicial, impulsionado ainda pelas pragas, doenças fora de controle, meses sem chuva e lavouras inteiras sendo perdidas.
Por consequência das variações climáticas, a produção do grão tem sido menor, fator que coloca em evidência o aumento dos valores para comercialização. A fim de contornar os empecilhos, alguns produtores estão adotando a técnica de plantar o alimento sob a sombra de árvores, em vez de ser inserido em contato direto com o sol.

De acordo com os especialistas, a mudança de curso tem sido feita por conta das consequências trazidas pela elevada temperatura em território brasileiro. O detalhe curioso é que o café é um alimento que se enquadra na agricultura perene, ou seja, basta plantar uma única vez que a árvore dará frutos ao longo de vários anos.
O problema é que a florada costuma acontecer entre setembro e novembro, período em que o calor e a seca potencializam a degradação das árvores. Conforme estudos recentes, a tendência é que, entre 2030 e 2050, o aquecimento seja de mais 1,5°C. Na teoria, esse aumento tende a comprometer o café arábica, o mais produzido no Brasil.
Preocupações com o café
Segundo estudos encabeçados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), a elevação da temperatura irá implicar diretamente no desaparecimento da flora em suas áreas tradicionais. Nesse contexto, o calor excessivo causa queda nas folhas. Como consequência do desequilíbrio ambiental, a perda acelerada de água compromete as colheitas subsequentes.
Por sua vez, a planta também fica mais suscetível a doenças e o clima é propício para o desenvolvimento de pragas. No tocante aos grãos, um dos maiores adversários torna-se o bicho-mineiro, que se instala na folha e causa a sua queda. De modo geral, com os danos causados desenfreadamente, o Brasil tende a deixar de ser um grande potencial cafeeiro no planeta.
Em contrapartida, ainda que a preocupação seja latente, algumas pesquisas estão sendo feitas para encontrar uma solução visando desenvolver variedades que são mais resistentes ao clima. Nesse intervalo, cientistas também vêm priorizando técnicas de manejo mais sustentáveis, que ajudam a resfriar a produção.




