A NASA, agência espacial do governo dos Estados Unidos da América, ligou o sinal de alerta da população brasileira diante de um fenômeno geofísico intensificado nos últimos anos. Trata-se da Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS), uma espécie de defasagem na proteção magnética da Terra que tem afetado diretamente o Brasil, Argentina, Bolívia e Paraguai.
Identificada em 1958, a AMAS representa uma zona em que o campo magnético do planeta perde intensidade e, consequentemente, aumenta a vulnerabilidade à radiação cósmica. De acordo com os cientistas, todo o processo é dinâmico e pode variar em força e direção. Em parceria com a NASA e a Agência Espacial Europeia (ESA), o Brasil tem acompanhado de perto a evolução do fenômeno.

Embora a situação cause um certo impacto na população, os estudiosos confirmam que não há motivos para externar pânico. Por ser uma mudança geofísica, cabe apenas o monitoramento contínuo das áreas, que tendem a danificar os satélites. Isso porque partículas de vento solar entram nesse campo com maior facilidade, como explica o doutor em Física e pesquisador do Observatório Nacional, Marcel Nogueira.
”Isso faz com que os satélites, quando passam por essa região, tenham que, por vezes, ficar em stand by, desligar momentaneamente alguns componentes para evitar a perda do satélite, de algum equipamento que venha a queimar. Porque a radiação, principalmente elétrons, nessa região é muito forte. Então é de interesse das agências espaciais monitorar constantemente a evolução dessa anomalia, principalmente nessa faixa central”, afirma o cientista.
Quais evoluções foram notadas pela NASA?
Os registros oficiais confirmaram que o centro da anomalia já se deslocou por cerca de 20 quilômetros para o oeste, ampliando os riscos e a exposição dos países. Segundo o Observatório Nacional (ON), a parceria com a NASA e ESA esclareceu a necessidade de adaptação de tecnologias para que os danos da anomalia não tenham tanto impacto.
Por sua vez, é preciso salientar que o fenômeno não apresenta risco direto à população, mas provoca falhas recorrentes em satélites e sistemas de navegação. Confira abaixo as maiores preocupações dos cientistas em um primeiro momento:
- Satélites podem sofrer falhas em computadores de bordo e, portanto, comprometer operações críticas;
- Relógios internos apresentam erros e, assim, prejudicam coordenadas geodésicas;
- Perda de dados em missões espaciais é registrada com frequência e, consequentemente, compromete pesquisas;
- Sobrecarga em transformadores compromete o fornecimento elétrico e, consequentemente, ameaça a estabilidade energética.
- Distorções em reguladores de tensão causam falhas e, assim, afetam redes de distribuição;
- Linhas telefônicas, dutos e ferrovias sofrem interferências e, portanto, tornam-se vulneráveis.





