A Anvisa identificou que dois terços dos suplementos analisados em 2025 apresentaram algum tipo de irregularidade. Entre os principais problemas estão ingredientes proibidos, doses acima do permitido, falhas de rotulagem e ausência de testes de pureza e estabilidade, que são obrigatórios para garantir a segurança do consumo.
A taxa de reprovação chegou a 65% até julho de 2025, revelando um cenário crítico em um mercado que cresce rapidamente no país. Mesmo diante das falhas, o prazo para que as empresas se adequem às normas foi prorrogado pela agência até 2026.
Segundo a Anvisa, a extensão foi necessária devido à complexidade técnica dos testes exigidos e à capacidade limitada dos laboratórios. Porém, a agência afirma que a fiscalização segue ativa e que os suplementos lançados a partir de 2024 já precisam cumprir integralmente as regras de composição, rotulagem e estabilidade.

Crescimento do mercado e riscos ao consumidor
Entre março de 2024 e fevereiro de 2025, a venda de vitaminas e suplementos no Brasil aumentou 37% em volume e 29% em faturamento. Esse avanço, porém, ocorreu sem o mesmo ritmo de controle sanitário.
Entre 2020 e 2025, 63% das investigações abertas pela Anvisa em alimentos estavam relacionadas a suplementos, o maior percentual entre todos os segmentos fiscalizados. Profissionais de saúde alertam que o consumo sem orientação pode causar danos hepáticos, renais, cardiovasculares e hormonais.
Excesso de vitaminas lipossolúveis e presença de substâncias estimulantes não declaradas estão entre os principais fatores de intoxicação. Produtos vendidos como naturais ou manipulados sem controle podem conter compostos farmacológicos não informados, agravando os riscos.
Casos recentes de interdição de marcas mostram que parte dos suplementos vendidos no país continha substâncias não declaradas. Para reduzir o risco, especialistas recomendam verificar o número de notificação da Anvisa, conferir o CNPJ do fabricante, evitar promessas de emagrecimento rápido e priorizar compras em locais confiáveis.





