Pesquisadores identificaram uma bactéria com capacidade singular: transformar compostos de outros metais em ouro. Essa descoberta, registrada na Nature Chemical Biology, abre caminho para métodos alternativos de obtenção do metal precioso, especialmente em ambientes onde o ouro está presente em formas tóxicas ou altamente diluídas.
A pesquisa mostra que alguns microrganismos conseguem sobreviver em soluções contendo ouro ao convertê-lo em nanopartículas inertes, um processo que pode ter aplicações futuras na biomineração.

Como a bactéria produz ouro
As primeiras evidências surgiram quando cientistas encontraram a espécie Cupriavidus metallidurans vivendo em biofilmes sobre pepitas de ouro em diferentes regiões do mundo. Estudos anteriores já indicavam que essa bactéria era capaz de desintoxicar compostos de ouro, transformando o metal em nanopartículas dentro de suas células
Essa adaptação permite que ela sobreviva em ambientes nos quais altas concentrações de ouro seriam letais para outros organismos. Posteriormente, pesquisadores identificaram outra bactéria associada ao processo: Delftia acidovorans.
Em laboratório, essa espécie formou halos escuros ao seu redor quando cultivada em soluções contendo ouro, indicando que a transformação do metal ocorria externamente à parede celular. A equipe analisou o genoma e o metabolismo da bactéria e identificou um conjunto de genes responsáveis pelo mecanismo.
Quando esses genes foram removidos experimentalmente, a produção das partículas cessou e o crescimento da bactéria foi prejudicado. O estudo também conseguiu isolar a substância química envolvida no processo, batizada de delftibactina.
Esse composto é capaz de precipitar ouro diretamente de uma solução, demonstrando que a molécula é fundamental para a formação das nanopartículas. A descoberta sugere potencial para a aplicação da delftibactina na extração de ouro a partir de resíduos minerais, oferecendo uma alternativa de baixo impacto ambiental em comparação às técnicas convencionais.





