Em 1976, em Maceió, Alagoas, um passeio de carro surpreendeu o setor automobilístico mundial por ser o primeiro a rodar com 100% de álcool. Na ocasião, o senador Teotônio Vilela (Arena-AL) realizou test drive em função do Programa Nacional do Álcool (Proálcool). A ação tomou conta da imprensa, tendo em vista que os veículos do Brasil, na época, eram abastecidos apenas com gasolina ou diesel.
A título de conhecimento, a iniciativa foi assinada em 14 de novembro de 1975 pelo general Ernesto Geisel. Nesse ínterim, as verbas foram destinadas para instituições de pesquisa tecnológica por diversos ministérios, como o da Agricultura, o da Indústria e Comércio e o de Minas e Energia. Por sua vez, o êxito do programa contribuiu para o nascimento de uma tecnologia 100% brasileira.

Como resultado do prestígio alcançado, o motor a álcool foi rapidamente disseminado na indústria de automóveis. Segundo o secretário de Tecnologia Industrial do Ministério da Indústria e do Comércio e um dos idealizadores do Proálcool, José Walter Bautista Vidal, a iniciativa visava encontrar alternativas energéticas nacionais, com destaque para combustíveis líquidos a serem obtidos de fontes renováveis.
Nesse intervalo, a identificação do álcool etílico, o etanol, como opção prioritária resultou em uma resposta inquestionável para a revolução do setor automobilístico. O test drive aconteceu com um Corcel, movido a álcool e água, sem apresentar oscilações. A conquista foi comemorada por Teotônio Vilela, que ocupou o banco do passageiro.
“Viajei ao lado do engenheiro, como um arriscado copiloto. Andamos cerca de 40 quilômetros, subimos e descemos ladeira e chegamos a desenvolver, na verdade, 110 quilômetros por hora. Outros viajaram também. O carro rodou com absoluta tranquilidade, e o rendimento por quilômetro foi ótimo. Andar num carro em que se colocam álcool e água é, para mim, qualquer coisa de fantástico”, disse o senador.
Qual foi a motivação por detrás do lançamento?
Embora a justificativa tenha sido baseada em buscar novas alternativas para colocar veículos em funcionamento nas estradas brasileiras, a empreitada teve a impulsão do choque mundial do petróleo. Em resumo, no ano de 1973, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) decidiu reduzir a extração e aumentar o preço.
Como resultado, as nações que desejassem uma parcela do escasso petróleo disponível teriam que pagar valores alarmantes por ele. Para se ter uma noção, o preço do barril explodiu, saindo de US$ 3,50 para US$ 13 em apenas um ano. Assim, os países árabes da Opep tomaram a medida como forma de pressionar as potências ocidentais, dependentes do petróleo do Oriente Médio.
A ideia era fazer com que as nações, em especial os Estados Unidos, retirassem o apoio militar dado a Israel na Guerra do Yom Kippur, contra o Egito e a Síria. Assim, o Brasil, preocupado com a disponibilidade e preço da gasolina (subproduto do petróleo), investiu em pesquisas para revolucionar a forma como os combustíveis eram distribuídos.
“Bendita crise do petróleo, que nos despertou para os problemas nacionais. Que devemos procurar petróleo, não há dúvida. Mas, por mais gigantescas que sejam as nossas reservas desconhecidas, elas são finitas, acabam um dia. O álcool não, é eterno, perdurará enquanto existir o Sol”, afirmou o secretário do Ministério da Indústria e do Comércio da época.





