Pesquisadores da Universidade de Londres identificaram que cabras (Capra hircus) possuem sotaques distintos que variam conforme o grupo em que vivem. Até agora, acreditava-se que a maioria dos mamíferos tinha sons muito primitivos para permitir variações sutis, com exceções conhecidas apenas em humanos, morcegos e cetáceos.
O estudo de Alan McElligott e Elodie Briefer demonstrou que cabras recém-nascidas desenvolvem padrões vocais específicos de cada rebanho, sugerindo uma função social na coesão do grupo.
O experimento envolveu 23 cabritos, todos filhos do mesmo pai, mas de mães diferentes, para reduzir influências genéticas. Inicialmente, os filhotes permaneceram com suas mães, e seus balidos foram gravados aos sete dias de idade.
Entre cinco e sete semanas, os animais foram distribuídos em quatro grupos diferentes, e seus balidos foram novamente registrados. Cada cabrito teve entre 10 e 15 balidos analisados para identificar variações. O estudo utilizou 23 parâmetros acústicos, permitindo reconhecer diferenças sutis que indicavam sotaques específicos de cada grupo.

Função social e reconhecimento vocal
Segundo os pesquisadores, os sotaques das cabras provavelmente ajudam na coesão do rebanho, facilitando a identificação e o vínculo entre os membros do grupo. Estudos anteriores de Elodie Briefer, publicados na revista Animal Cognition, mostraram que cabras conseguem reconhecer os balidos de suas próprias crias, reforçando a importância da comunicação vocal para a interação social e a sobrevivência da espécie.
O fenômeno não é exclusivo das cabras. Pesquisas anteriores conduzidas pelo foneticista John Wells, também da Universidade de Londres, demonstraram que as vacas aprendem sotaques regionais ao mugir. Esses estudos indicam que alguns mamíferos têm uma capacidade vocal mais complexa do que se imaginava, podendo ajustar suas vocalizações com base no ambiente social.





