Em meio aos desastres climáticos e à interferência da ação humana, muitas espécies entraram em extinção, sendo registradas por especialistas. No entanto, após mais de três décadas isolado, o Przewalski, único cavalo verdadeiramente selvagem que nunca foi domesticado, voltou a ser visto. A façanha surpreendente aconteceu no norte da China.
Declarada extinta na natureza depois de 1969, a espécie retornou ao deserto da China por meio de um processo que alia genética, manejo e ecologia. Conforme análises de cientistas, havia restado somente pegadas fracas e alguns fios de pelo presos em gramíneas arrancadas pelo vento. Para a surpresa dos ecologistas, o cenário foi contornado com uma outra alternativa.

Pegando a todos de surpresa, em 1986, a China decidiu restaurar a espécie no coração de um dos ambientes mais duros da Terra, o Junggar Basin, em Xinjiang. O local em questão é descrito como antiga terra natal dos cavalos selvagens, mas também como área de desertificação acelerada. Assim, os animais que estavam na Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos foram levados para o continente asiático.
Nesse processo, os equinos viveram em grandes recintos semisselvagens para reaprender rotas de água, suportar ventos com areia e sobreviver a invernos em que temperaturas poderiam cair abaixo de -40°C. Como resultado das investigações e cruzamentos genéticos, após mais de 30 anos esses seres voltaram a pisar em terra natural.
Como e por qual motivo a extinção foi decretada?
Durante o século passado, a erosão ecológica descrita no norte da China e no território autônomo de Xinjiang culminou na desertificação de mais de 350 mil km². Diante da presença de terra rachada, forte calor e rios secos, muitos animais morreram ou precisaram migrar para outros locais. Assim, o Przewalski foi enquadrado como extinto.
Ao final do século XIX e na primeira metade do século XX, extensos períodos de fome levaram os moradores locais a utilizarem a caça dos cavalos selvagens como meio de sobrevivência. Por não serem domesticáveis e alvos fáceis, tornaram-se a presa perfeita para as comunidades nômades. Em contrapartida, raízes sumiram, ventos ficaram mais fortes, a água deixou de ser retida e a terra continuou a degradar.





