A China alcançou um marco significativo ao eliminar os lixões urbanos e transformar a gestão de resíduos em uma fonte estratégica de energia. Em várias cidades, o modelo de incineração e aproveitamento total dos resíduos já está tão consolidado que algumas localidades chegam a comprar lixo de regiões vizinhas para manter as usinas em operação.
Esse avanço é resultado de décadas de investimento em tecnologia e políticas públicas. Desde os anos 1980, o país importou métodos da Alemanha e do Japão e os adaptou à realidade local.
Hoje, conta com mais de mil usinas de lixo em funcionamento, com equipamentos e sistemas majoritariamente nacionais. Esse parque industrial supera a capacidade combinada de países como Estados Unidos, Europa e Japão, colocando a China na liderança global da transformação de resíduos em energia.

Lixo que se transforma em eletricidade
Um exemplo do impacto desse modelo está em Pequim, na Usina de Incineração de Resíduos Domésticos de Asuwei. Com capacidade de processar até 3 mil toneladas por dia, a unidade gera cerca de 420 milhões de kWh anuais para a rede elétrica da capital.
O processo de fermentação prévia aumenta a eficiência da queima, e os subprodutos, como metais e cinzas, são reaproveitados em materiais de construção. Além disso, o sistema de tratamento de chorume garante que não haja despejo de efluentes, mantendo o nível de poluição abaixo das normas europeias.
A combinação de eficiência energética e aproveitamento quase total dos resíduos explica por que algumas cidades chinesas já não têm mais lixões. Nessas localidades, a adesão crescente da população à coleta seletiva e à reciclagem reduziu tanto o volume de descarte que se criou um fenômeno inusitado: a falta de lixo para atender à capacidade instalada das usinas.




