Muito comum no Brasil, o pássaro chupim (Molothrus bonariensis) é curiosamente chamado de “parasita de ninhos”. Essa alcunha é derivada de sua capacidade de colocar seus ovos em ninhos de outras espécies de aves para que elas possam chocá-los, criá-los e alimentá-los como se fossem seus próprios filhotes. Essa fama não é muito apreciada no reino animal, mas desperta a curiosidade dos cientistas.
Vistos como aproveitadores, esses passarinhos costumam ter seus ovos chocados pelo tico-tico, já que são semelhantes. Por sua vez, há ainda registros do processo de parasitismo envolvendo as espécies de tiê-sangue, tiê-preto e cardeal. Na prática, são aves que, evolutivamente, perderam a capacidade de construir ninhos, chocar seus ovos e cuidar de sua prole.

Em solo brasileiro, o chupim é encontrado com grande frequência no Rio Grande do Sul, motivado pela plantação de arroz. Curiosamente, em solo gaúcho, o termo “chupim” é utilizado no dia a dia para se referir a pessoas que se aproveitam de outras. Cientificamente, esse comportamento, no reino animal, é a definição de parasitismo.
Outras curiosidades sobre os pássaros
Geralmente, essa espécie anda em bandos, alimentando-se de sementes e insetos, muitas das vezes acompanhando gados. Enquanto os machos são pretos com reflexos azul-violeta ao sol, as fêmeas são pardas (marrons). Embora grande parte das pessoas o chame de chupim, também é conhecido das seguintes formas:
- Arumará, azulão, azulego, boiadeiro, brió, carixo, catre, chopim-gaudério, corixo, curixo e corrixo; corvo, engana-tico, engana-tico-tico, gaudério, godério, godero, gorrixo, grumará, iraúna e maria-preta; negrinho, papa-arroz, parasita, parasito, pássaro-preto, uiraúna, vaqueiro, vira, vira-bosta e vira-vira.
Após a realização de diversos testes com jovens chupins, pesquisadores descobriram que existe um canto “senha”, um sinal acústico que provoca o imprinting dos juvenis. Em outras palavras, por meio dessa sonoridade, é possível que os pássaros reconheçam características do fenótipo de outros chupins e se reconheçam como tais.
Conforme os cientistas, o imprinting consiste em um processo pelo qual os animais, após uma experiência precoce com indivíduos ou uma classe específica de objetos, aprendem suas características e restringem suas preferências sociais a eles.





