Em Marajá do Sena, no Maranhão, considerada a cidade mais pobre do Brasil, muitas famílias sobrevivem com o que uma faxineira do Rio de Janeiro recebe por um único dia de trabalho. Enquanto uma diária na capital fluminense varia de R$ 150 a R$ 200, a dona de casa Eva Gonçalves da Silva, de 37 anos, ganha o mesmo valor em um mês lavando roupas.
Mãe de três filhos, ela vive de bicos, assim como o marido, que cava poços artesianos e capina a “juquira”. Sem empregos formais, o casal tem como renda fixa apenas R$ 165 do Bolsa Família, referentes aos filhos matriculados na escola.
Condições precárias e falta de infraestrutura
A família Gonçalves da Silva sobrevive com cerca de R$ 565 mensais nos meses em que conseguem trabalhos extras. A renda per capita chega a apenas R$ 72, abaixo da média municipal de R$ 96,25, ou R$ 2,40 por dia, menor que a linha de pobreza extrema do Banco Mundial.
Na casa simples onde vivem, não há banheiro completo nem água filtrada. Como 86% da população, eles dependem de poços e utilizam apenas panos para coar a água. Em Marajá do Sena, somente 13,9% dos moradores têm banheiro e acesso à água encanada.
Retrato social e índices de vulnerabilidade
Os indicadores revelam um cenário alarmante: 91% da população são vulneráveis à pobreza e 67% das crianças vivem em extrema pobreza.
Além disso, 8,7% das crianças entre 6 e 14 anos estão fora da escola e 41% dos jovens de 15 a 24 anos não estudam nem trabalham. O município possui apenas 11,5% das ruas pavimentadas e quase não há empresas capazes de gerar empregos formais.
Economia local e contrastes sociais
Com cerca de 7.600 habitantes, sendo 85% na zona rural, o município sobrevive basicamente de programas sociais, aposentadorias e empregos públicos. Segundo a Secretaria de Administração, apenas 2% da população têm emprego formal.
Mesmo na pobreza extrema, há pequenos comércios e salões de beleza, frequentados por servidores e aposentados. Em meio à precariedade, programas estaduais, como o Mais IDH, buscam melhorar a infraestrutura, moradia e educação na região.





