Entre dezembro de 2023 e fevereiro de 2024, 15 cidades brasileiras registraram temperaturas acima da média histórica, afetando 16 milhões de pessoas. E o fenômeno vai voltar a ocorrer. Vila Velha (ES) e Goiânia (GO) lideram o ranking com aumento de 1°C, seguidas por Campinas (SP), Recife (PE) e Salvador (BA).
Dados globais apontam que o fenômeno está vinculado à elevação das concentrações de CO₂, que atingiram 425 partes por milhão na atmosfera em 2024, ficando 35% acima dos níveis pré-industriais.
Enquanto o Nordeste enfrenta secas prolongadas, com redução de 25% nos dias chuvosos desde 1960, o Centro-Oeste sofre com a expansão do período seco, comprometendo cultivos como soja e milho. Nas metrópoles, a combinação entre calor e urbanização intensifica o efeito de ilha térmica: concreto e asfalto retêm calor, elevando temperaturas noturnas em até 5°C em relação a áreas rurais próximas.

Desafios para a saúde pública
Hospitais em capitais como Recife relatam aumento de 18% nos atendimentos por desidratação e insolação durante verões recentes. Idosos e trabalhadores informais – como entregadores e ambulantes – são os mais vulneráveis. Um estudo da Fiocruz estima que, até 2030, o calor extremo poderá reduzir em 5% a produtividade laboral em setores como construção civil e agricultura.
Prefeituras de Campinas e Goiânia iniciaram projetos de arborização em corredores viários, visando reduzir a temperatura superficial. Salvador ampliou a instalação de telhados verdes em edifícios públicos, enquanto Recife estuda a criação de “refúgios climáticos” com ar-condicionado em espaços comunitários. Especialistas defendem a revisão de padrões construtivos, incluindo ventilação cruzada obrigatória em novas edificações.
A lacuna nas políticas nacionais
Apesar de 62% dos municípios brasileiros possuírem planos de mudança climática, apenas 8% destinam verbas específicas para ações de resfriamento urbano. A falta de integração entre setores dificulta iniciativas como a substituição de frotas de ônibus a diesel por elétricos, medida que reduziria emissões e o calor gerado por motores.




