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Cidades brasileiras são alertadas: calor se tornará insuportável nelas

Por Fagner Gregório
28/09/2025

Entre dezembro de 2023 e fevereiro de 2024, 15 cidades brasileiras registraram temperaturas acima da média histórica, afetando 16 milhões de pessoas. E o fenômeno vai voltar a ocorrer. Vila Velha (ES) e Goiânia (GO) lideram o ranking com aumento de 1°C, seguidas por Campinas (SP), Recife (PE) e Salvador (BA).

Dados globais apontam que o fenômeno está vinculado à elevação das concentrações de CO₂, que atingiram 425 partes por milhão na atmosfera em 2024, ficando 35% acima dos níveis pré-industriais.

Enquanto o Nordeste enfrenta secas prolongadas, com redução de 25% nos dias chuvosos desde 1960, o Centro-Oeste sofre com a expansão do período seco, comprometendo cultivos como soja e milho. Nas metrópoles, a combinação entre calor e urbanização intensifica o efeito de ilha térmica: concreto e asfalto retêm calor, elevando temperaturas noturnas em até 5°C em relação a áreas rurais próximas.

Forte onda de calor vai atingir algumas cidades brasileiras
Créditos: Reprodução

Desafios para a saúde pública

Hospitais em capitais como Recife relatam aumento de 18% nos atendimentos por desidratação e insolação durante verões recentes. Idosos e trabalhadores informais – como entregadores e ambulantes – são os mais vulneráveis. Um estudo da Fiocruz estima que, até 2030, o calor extremo poderá reduzir em 5% a produtividade laboral em setores como construção civil e agricultura.

Prefeituras de Campinas e Goiânia iniciaram projetos de arborização em corredores viários, visando reduzir a temperatura superficial. Salvador ampliou a instalação de telhados verdes em edifícios públicos, enquanto Recife estuda a criação de “refúgios climáticos” com ar-condicionado em espaços comunitários. Especialistas defendem a revisão de padrões construtivos, incluindo ventilação cruzada obrigatória em novas edificações.

A lacuna nas políticas nacionais

Apesar de 62% dos municípios brasileiros possuírem planos de mudança climática, apenas 8% destinam verbas específicas para ações de resfriamento urbano. A falta de integração entre setores dificulta iniciativas como a substituição de frotas de ônibus a diesel por elétricos, medida que reduziria emissões e o calor gerado por motores.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Fagner Gregório

Fagner Gregório

Jornalista graduado pela SATC (Santa Catarina), atua na produção de conteúdo jornalístico para web. Tem experiência em redação de portais (4oito) e jornais, além de assessoria de comunicação.

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