Uma viagem entre a Terra e Marte hoje pode levar cerca de sete meses, mas pode ser reduzida para apenas 30 dias graças a uma nova tecnologia em desenvolvimento na Rússia. Cienstistas trabalham em um sistema de propulsão baseado em plasma que promete acelerar espaçonaves a velocidades muito superiores às obtidas pelos foguetes químicos tradicionais. A inovação ainda está em fase experimental e interessa ao setor aeroespacial.
O projeto está sendo conduzido pelo Instituto Troitsk da Rosatom, ligado à estatal nuclear russa Rosatom. Diferentemente dos motores convencionais, que dependem da queima de combustíveis químicos para gerar impulso, o novo sistema utiliza campos eletromagnéticos para acelerar partículas de hidrogênio ionizadas, formando um jato de plasma de alta velocidade capaz de impulsionar a nave no espaço.
Nos testes iniciais, o protótipo foi instalado em uma câmara de vácuo de cerca de 14 metros de comprimento, projetada para simular as condições do espaço. O motor opera com potência aproximada de 300 quilowatts e funciona em modo pulsado periódico. Até agora, o equipamento já acumulou cerca de 2.400 horas de operação, tempo considerado suficiente para simular uma missão completa de ida e volta a Marte.
Tecnologia russa pode reduzir tempo de viagem a Marte
Segundo o cientista Alexei Voronov, vice-diretor científico do instituto, o motor consegue acelerar partículas de hidrogênio, prótons e elétrons, a velocidades de até 100 km por segundo. Para comparação, foguetes químicos convencionais alcançam aproximadamente 4,5 km por segundo, o que evidencia o potencial dessa nova tecnologia para viagens interplanetárias mais rápidas.
O motor de plasma não substituiria completamente os foguetes atuais. A proposta é que lançadores tradicionais levem a espaçonave até a órbita da Terra e, a partir daí, o novo sistema forneça propulsão contínua no espaço. Além de missões a Marte, a tecnologia também poderia ser utilizada como rebocador espacial para transportar cargas entre órbitas. A expectativa é de que o modelo só esteja pronto a partir de 2030.





