Encurtando laços políticos com o Brasil, a China assinou um projeto para criar um novo corredor logístico sul-americano, avaliado em 3,5 bilhões de dólares (R$ 18 bilhões na cotação atual). A proposta contemplada tem a finalidade de unir dois megaprojetos estratégicos: o porto de Chancay, no Peru, e a ferrovia bioceânica, planejada para cruzar o Brasil.
Desejando consolidar-se ainda mais no cenário internacional, os chineses desejam construir uma alternativa ao Canal do Panamá, que atualmente serve como rota marítima para ligar os oceanos Atlântico e Pacífico. Enquanto isso, o plano das autoridades asiáticas é reduzir os custos operacionais e encurtar o tempo de transporte, fazendo com que sua presença política e econômica na América do Sul seja ampliada.

A nível de ciência, o acordo de viabilização dos estudos foi assinado em julho deste ano entre China e Brasil. Nele está desenhado todo o planejamento que prioriza integrar as ferrovias de Integração Oeste-Leste (Fiol) e Centro-Oeste (Fico) e a Ferrovia Norte-Sul (FNS) ao recém-inaugurado porto de Chancay, localizado no Peru.
Entendo a necessidade de acelerar toda a empreitada, as análises serão conduzidas pela Infra S.A., estatal vinculada ao Ministério dos Transportes, e pela China Railway Economic and Planning Research Institute. Sobretudo, o movimento, de acordo com o entendimento internacional, combina objetivos comerciais com interesses geopolíticos mais amplos.
Confira os detalhes do projeto que pretende beneficiar o Brasil
O corredor ferroviário tem uma parte em execução no Brasil, por meio da Fiol, com origem em Ilhéus (BA) e indo até Mara Rosa (GO). Por outro lado, a da Fico partirá de Mara Rosa e se estenderá até Lucas do Rio Verde (MT). Nesse processo, a cidade goiana será o entroncamento das duas ferrovias com a Ferrovia Norte-Sul, que vai de Açailândia, no Maranhão, a Estrela d’Oeste, em São Paulo.
Enquanto isso, Lucas do Rio Verde demarcará o ponto final da Fico, começando a Ferrovia Bioceânica, que passará pela fronteira do Mato Grosso com a Bolívia, todo o estado de Rondônia e o sul do Acre, na fronteira com o Peru. Nesse ponto, a ferrovia seguirá até o porto de Chancay, construído pelos chineses e inaugurado ao final de 2024.





