Diante da comoção nacional com a morte do Cão Orelha, na Praia Brava (SC), o delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, tornou-se protagonista nos noticiários. Embora tenha recebido os holofotes por encabeçar as investigações e adotar um outro animal vítima de agressões na região, o homem anunciou sua candidatura ao posto de deputado federal.
Por meio de suas redes sociais, Ulisses rebateu as críticas à apuração do episódio, que atribuiu a supostas “motivações escusas”, e enfileirou ataques à esquerda. Curiosamente, decidiu abdicar de suas funções para cravar vínculo com o governador do estado, Jorginho Mello (PL), do qual será correligionário. Utilizando a notoriedade adquirida no caso envolvendo o animal comunitário, embarcará na carreira política.

“Depois de 22 anos como servidor de carreira, 19 anos como delegado de polícia e 3 anos e 2 meses como delegado-geral, escolhido pelo Governador Jorginho, vou me dedicar a uma nova empreitada, agora como pré-candidato a Deputado Estadual pelo PL, devendo me desincompatibilizar no prazo da Lei Eleitoral, que são pelo menos 6 meses antes do pleito”, escreveu ele.
Controvérsias no caso do Cão Orelha
Nesta terça-feira (3), uma reviravolta tomou conta do caso Cão Orelha, animal que foi covardemente assassinado por um grupo de jovens em Santa Catarina. Responsável por organizar as investigações, o delegado-geral da Polícia Civil tornou-se alvo de um procedimento preparatório instaurado pela 40ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital.
De acordo com a entidade, que opera em função do controle externo da atividade policial, os documentos entregues fazem parte de diversas representações recebidas contra a conduta do delegado no caso da morte do animal. Diante das contestações em meio ao episódio desumano contra o cão, o Ministério Público pretende avaliar a instauração de inquérito civil para possíveis ações judiciais.
Após a conclusão do inquérito que apontou um adolescente como responsável pelas agressões e pediu a internação do jovem, promotorias com atribuições distintas identificaram lacunas e inconsistências nos autos. Por consequência de incongruências nas falas e defesas de Ulisses, o corpo de Orelha foi exumado para nova perícia, enquanto novas provas e depoimentos serão incrementados no caso.
A título de recordação, o Cão Orelha foi atacado covardemente na madrugada de 4 de janeiro e morreu no dia seguinte, depois de ser socorrido por moradores e levado a uma clínica veterinária. Conforme os laudos preliminares da Polícia Científica, o animal sofreu uma pancada contundente na cabeça, possivelmente causada por chute ou por objeto rígido, como pedaço de madeira ou garrafa.
Confira na íntegra a nota emitida por ele:
“Não fui notificado sobre a instauração do procedimento preparatório. Mas pelo que entendi a instauração decorre de supostas falas na coletiva da imprensa do dia 27/01. Estou absolutamente tranquilo e confio na atuação do Ministério Público.
Não tenho como responder por abuso de autoridade, muito menos por violação de sigilo funcional, pois não sou e nunca fui responsável pela investigação. E as informações que recebi e declarei em coletiva não eram sigilosas, mas de conhecimento público.
Todas as entrevistas nunca citaram nomes ou apresentaram fotos ou vídeos que identificam os investigados, sendo que que o inquérito policial que apurou a possível coação no curso do processo era público. Estou à disposição do Ministério Público para esclarecer o que for perguntado.
Saliento que há informações de dezenas de representações no MP em contexto apresentadas por movimentos políticos e motivações escusas ideológicas contra a PC e SC”, defendeu-se o ex-delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina.





