A título de curiosidade, o dia 10 de julho foi o dia mais curto registrado neste ano, durando 1,36 milissegundos menos que 24 horas. De acordo com o Serviço Internacional de Rotação e Sistemas de Referência da Terra e do Observatório Naval dos EUA, a Terra está girando mais rápido neste verão, o que deve prejudicar a rotina dos seres humanos.
Em um primeiro momento, você pode achar que os dias mais curtos não irão interferir na rotina, mas especialistas temem problemas que vão além da percepção a olho nu. Isso porque astrônomos que acompanham a rotação da Terra escancaram que todos os dados de satélites são coordenados mediantes as 24 horas.
Sendo assim, dias mais curtos, mesmo que por milissegundos, podem, a longo prazo, afetar computadores, satélites e telecomunicações. Diante dos estudos feitos, astrônomos acreditam que isso poderia levar a um cenário semelhante ao problema do Y2K, que ameaçou paralisar a civilização moderna.
“Estamos em uma tendência de dias ligeiramente mais rápidos desde 1972. Mas há flutuações. É como observar o mercado de ações, realmente. Existem tendências de longo prazo e, depois, há picos e quedas”, avaliou Duncan Agnew, professor de geofísica no Instituto Scripps de Oceanografia e geofísico pesquisador na Universidade da Califórnia de San Diego.
Ainda que as análises estejam sendo realizadas, o problema é que os dias na Terra serão novamente reduzidos. Isso porque em 5 de agosto a previsão é de que o dia terá 1,25 milissegundos a menos que 24 horas. Em contrapartida, o mesmo aconteceu em 22 de julho, quando a rotação alertou para a redução de 1,34 milissegundos.
Terra emite sinal de alerta
Ao ser questionado sobre o motivo pelo qual a Terra tem apresentado dias mais curtos, Duncan Agnew explicou que a percepção é comum no Verão, mas não com tamanha incidência. O giro mais rápido é resultado das variações sazonais, notadas por intermédio das correntes de jato, leis da física e atmosfera. Por sua vez, tal aceleração implica em problemas ambientais, como declara outro profissional.
“Até o final deste século, em um cenário pessimista (no qual os humanos continuam a emitir mais gases de efeito estufa), o efeito das mudanças climáticas pode superar o efeito da lua, que tem realmente impulsionado a rotação da Terra nos últimos bilhões de anos. Acho que a (rotação mais rápida) ainda está dentro de limites razoáveis, então pode ser uma variabilidade natural”, disse Benedikt Soja, professor assistente do departamento de engenharia civil, ambiental e geomática do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça em Zurique, Suíça.





