Popularizada em solo catarinense, a Esmalglass, gigante do setor cerâmico de Criciúma, vem analisando a necessidade de expansão da marca, com a possibilidade de saída do território sulista. Conforme os planejamentos iniciais, a companhia avalia migrar para o interior de São Paulo, motivada pela falta de estrutura e altos custos do gás natural.
Contando com aproximadamente 200 funcionários no empreendimento catarinense, a realocação desses colaboradores tornou-se um ponto questionável. Ainda que o martelo não tenha sido batido, a empresa enxerga que, com o desembarque em São Paulo, as chances de impulsão no mercado serão maiores. Além disso, a tendência é criar novos multiplicadores financeiros na cadeia produtiva e em serviços anexos.
Embora popularizada em Santa Catarina, a companhia tem enfrentado vários obstáculos, essenciais para reavaliar a estadia no estado. Segundo análise do diretor-geral da Esmalglass, João Batista Borgert, todo o segmento cerâmico do sul catarinense vem apresentando oscilações, motivadas pelo processo de desindustrialização dos últimos anos.
“Mesmo com o risco elevado, não parece haver sensibilização da sociedade catarinense ou das autoridades competentes. Não vemos atitudes efetivas tentando mitigar as dificuldades mencionadas e, se continuar assim, fica difícil imaginar um cenário regional positivo para o setor cerâmico”, lamentou o representante da empresa.
Novos desafios encontrados
Potencializando o momento de incertezas, o alto consumo energético do setor industrial tem preocupado o diretor. Para uma melhor compreensão, o gás natural disseminado em Santa Catarina apresenta valor elevado em comparação a outras regiões. Contudo, a maior lamentação é que, outrora, o segmento recebia incentivos que tornavam esse insumo o segundo mais barato do Brasil.
Por sua vez, há ainda a questão das limitações perante os meios de transporte. A exemplo disso estão os aeroportos, que não oferecem voos regulares com a frequência necessária nem destinos estratégicos para que as empresas realizem o deslocamento dos recursos. Em contrapartida, os portos apresentam escassez de navios, e a baixa oferta dificulta e encarece o transporte marítimo.
Importância da empresa no cenário mundial
Enquanto analisa com cautela as novas investidas, a empresa comemora o prestígio no segmento. Isso porque o Brasil é o terceiro maior produtor de revestimentos cerâmicos do mundo, sendo superado apenas por China e Índia. Portanto, com a realocação para o interior de São Paulo, a tendência é que as produções aumentem, o escoamento seja facilitado e o faturamento siga o mesmo curso.
“Temos capacitação técnica, fábricas produtivas e eficientes, mão de obra qualificada e produzimos ótimos produtos, mas exportamos pouco. Nossa região merece mais atenção para que possamos usar nosso potencial em prol do setor, o que trará benefícios a todos, direta ou indiretamente”, explicou o diretor-geral da Esmalglass.





