A plataforma de delivery Keeta passou a oferecer um novo sistema de incentivos para entregadores em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. O modelo, operado por terceirizadas, promete bônus de R$ 180 para profissionais que realizem ao menos 70 entregas e permaneçam conectados ao aplicativo por sete dias consecutivos, com jornada diária de cinco horas durante a primeira semana de operação.
Além disso, o pagamento do bônus estaria condicionado ao uso de bags com o logotipo da empresa, o que implica que os entregadores fariam propaganda gratuita enquanto trabalham. O valor por corrida estipulado pela plataforma varia de R$ 6 de segunda a sexta-feira e R$ 8 aos fins de semana.
Esses valores ficam abaixo do piso reivindicado pela categoria, de R$ 10, que foi tema do Breque Nacional em março deste ano, quando entregadores de diferentes plataformas paralisaram suas atividades em protesto por melhores condições de trabalho.
Questionamentos sobre o modelo de incentivo
O Ministério Público do Trabalho (MPT) levantou questionamentos sobre a legalidade do modelo, considerando-o uma possível fraude trabalhista. A prática de condicionar o recebimento de bônus a jornadas intensas, ao cumprimento de metas e ao uso obrigatório de materiais de marketing caracteriza um risco de precarização das condições de trabalho.
Para especialistas e representantes de associações de motofretistas, como Edgar da Silva, presidente da AMABR, a exigência de longas jornadas seguidas sem descanso e o volume elevado de entregas configuram pressão excessiva sobre os trabalhadores.
Em nota oficial, a Keeta esclareceu que os incentivos são opcionais e que os requisitos reais para participação nas campanhas incluem a conexão mínima de 35 horas em até 15 dias, sem necessidade de trabalho contínuo.





