Embora seja o peixe mais consumido em território brasileiro, uma espécie invasora de tilápia tem ligado o sinal de alerta das autoridades. Especialmente em Santos (SP), a presença crescente da tilápia-do-Nilo (Oreochromis niloticus) passou a causar apreensão, tendo em vista que o animal foi introduzido no território nacional com outras finalidades.
Originária da África, a tilápia-do-Nilo passou a fazer parte da cultura brasileira por meio da piscicultura, atividade de criar peixes e outros organismos aquáticos em ambientes controlados para fins comerciais, de pesquisa ou repovoamento. No entanto, o peixe escapou desses reservatórios e tem se reproduzido em uma velocidade assustadora.
Por sua facilidade de adaptação, o animal tolera extremos de temperatura (de 8°C a 41°C) e à salinidade, vivendo preferencialmente em corpos d’água com vegetação aquática, de águas lentas ou pantanosas. De acordo com o Instituto do Meio Ambiente, a espécie invasora consome todo tipo de alimento de origem animal ou vegetal.
Segundo as autoridades, a criação dessa espécie no Brasil tem se tornado comum devido à grande importância econômica, mas carece de cuidados necessários para prevenir seu escape e os impactos ambientais decorrentes, assim como os irreversíveis.
“O nosso estudo alerta que a presença dessa espécie nos canais de Santos representa um risco ecológico a longo prazo, reforçando a necessidade urgente de monitoramento e manejo para evitar danos maiores à fauna local e ao equilíbrio dos ecossistemas costeiros”, destacou o pesquisador João Henrique Alliprandini da Costa.
Riscos da reprodução da tilápia
Para uma melhor compreensão da problemática, a expansão descontrolada desse animal coloca em risco espécies nativas, alterando o equilíbrio ecológico de ecossistemas costeiros. A situação ganha contornos ainda mais drásticos após novas pesquisas revelarem que a tilápia-do-Nilo consegue sobreviver até mesmo em águas poluídas e com baixos níveis de oxigênio.
Por consequência da alta resistência, o peixe prospera em locais degradados, competindo com espécies locais por alimento e espaço. Em contrapartida, por apresentarem alimentação diversificada, consomem detritos orgânicos, algas e larvas de peixes marinhos, fator que interfere diretamente nas cadeias alimentares locais.





