Com dimensões continentais, o Amazonas segue enfrentando um gargalo histórico na área de transportes. Mesmo sendo o maior estado do Brasil, com cerca de 1,57 milhão de km², o equivalente à soma de países europeus como Inglaterra, França e Alemanha, a circulação interna ainda depende fortemente de rios e aviões, o que evidencia a limitação da infraestrutura terrestre amazonense.
Os números ajudam a dimensionar o problema. Levantamentos da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) apontam que a malha rodoviária principal soma aproximadamente 5,7 mil km, sendo 2,3 mil federais e 3,4 mil estaduais. Esse total representa menos de 0,4% da área do estado, uma proporção extremamente baixa diante da extensão territorial e das necessidades logísticas.
A situação se torna ainda mais crítica quando se analisa a pavimentação. Apenas cerca de 15,4% das rodovias monitoradas possuem asfalto, o que equivale a aproximadamente 2,2 mil km. Embora esse índice esteja ligeiramente acima da média da Amazônia Legal, ele ainda está distante do ideal para garantir competitividade econômica e integração regional, especialmente em uma área marcada por rios extensos e floresta densa.
Maior estado brasileiro ainda carece de boas estradas
Além da escassez de estradas, a qualidade também preocupa. Pesquisas recentes indicam que cerca de 90% das vias avaliadas apresentam condições que variam entre regulares e péssimas, sem registros de trechos considerados ótimos. Mesmo entre as rodovias pavimentadas, a maioria enfrenta problemas estruturais, o que eleva os custos logísticos em cerca de 30% acima da média nacional e dificulta o escoamento de produtos.
Diante desse cenário, especialistas destacam que os entraves vão além da geografia, envolvendo também investimentos insuficientes ao longo das décadas. Projetos como a BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, avançam lentamente e de forma irregular. Apesar de iniciativas recentes ampliarem trechos pavimentados, a integração plena do estado ao restante do país ainda depende de uma estratégia mais ampla, que combine rodovias, hidrovias e transporte aéreo de forma eficiente.





