Pesquisadoras da Universidade Drexel, de Michigan, da Pensilvânia e do Instituto Nacional sobre o Abuso de Álcool e Alcoolismo, ambos dos Estados Unidos, publicaram um artigo na revista científica Nature Medicine para ligar o sinal de alerta dos consumidores. Isso porque a ingestão de alimentos ultraprocessados pode gerar a mesma dependência que drogas.
Diante da correria do dia a dia, é comum que muitas pessoas deixem as refeições essenciais de lado para dar espaço a alimentos corriqueiros, com alto valor calórico e baixo nível nutricional. Em meio aos elevados casos de obesidade e demais problemas de saúde, o estudo publicado comprovou que a repetição da ingestão pode levar ao vício comum apresentado em drogas e bebidas contendo álcool.
“Não estamos dizendo que todos os alimentos são viciantes. Estamos dizendo que muitos alimentos ultraprocessados são projetados para ser viciantes. E, a menos que reconheçamos isso, continuaremos a falhar com as pessoas mais afetadas, especialmente as crianças”, diz a autora principal do estudo, Ashley Gearhardt, professora de Psicologia da Universidade de Michigan, em nota.
Os estudos mostraram que alimentos ultraprocessados podem desencadear comportamentos aditivos e ativam mecanismos neurobiológicos que atendem aos mesmos critérios clínicos usados para diagnosticar transtornos por uso de substâncias, como de álcool, cigarro e outras drogas. Assim, torna-se frequente o desejo intenso, perda de controle sobre o consumo, uso contínuo mesmo com consequências negativas e abstinência ou irritabilidade quando não estão disponíveis.
“As pessoas não estão ficando viciadas em maçãs ou arroz integral. Elas estão lutando contra produtos industriais especificamente projetados para atingir o cérebro como uma droga, de forma rápida, intensa e repetida. Criamos um ambiente alimentar inundado de produtos que funcionam mais como nicotina do que como nutrição. E as crianças são o principal alvo”, explicou Gearhardt.
Consumo de álcool e drogas escalonam no Brasil
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde presente no “Relatório de status global sobre álcool e saúde e tratamento de transtornos por uso de substâncias”, 58,1% da população brasileira acima de 15 anos consome bebidas alcoólicas regularmente e ao menos 35,3% afirmam ter episódios de “beber pesado”, quando o consumo é superior a quatro cervejas, taças de vinho ou doses de destilado.
Em contrapartida, no caso das drogas ilícitas, um estudo entre Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE) constatou que 4,9 milhões de pessoas fazem uso de substâncias consideradas ilegais, com a cocaína respondendo por 3,1% dos casos. Por fim, os jovens correspondem a 7,4%, sendo a maioria homens.




