O governo brasileiro intensificou ações para recuperar fósseis de dinossauros e outros patrimônios naturais retirados ilegalmente do país e levados para coleções no exterior. Atualmente, há negociações de repatriação envolvendo pelo menos 14 países, segundo autoridades brasileiras. Os casos incluem materiais históricos e científicos considerados fundamentais para pesquisas, preservação cultural e fortalecimento de museus nacionais.
Levantamentos apontam que os Estados Unidos lideram o número de pedidos de devolução feitos pelo Brasil, seguidos por Alemanha, Reino Unido e Itália. Entre os casos mais recentes está o acordo para trazer de volta ao Ceará o fóssil do dinossauro Irritator challengeri, que viveu há cerca de 116 milhões de anos na região do Araripe e permaneceu desde 1991 em um museu alemão após a retirada considerada irregular.

Especialistas classificam o fenômeno como “colonialismo científico”, prática em que materiais coletados em países com grande patrimônio natural acabam concentrados em instituições estrangeiras. Pesquisadores argumentam que isso reduz o acesso da comunidade científica brasileira aos estudos e faz com que descobertas importantes sejam produzidas majoritariamente fora do país.
Brasil recupera fósseis de dinossauros que foram levados a outros países
Estudos recentes indicam que grande parte dos fósseis da Bacia do Araripe descritos em pesquisas internacionais permanece em coleções estrangeiras e ainda não foi devolvida ao Brasil. Um dos episódios marcantes ocorreu com a repatriação do dinossauro Ubirajara jubatus, devolvido ao Brasil em 2023 após forte mobilização de pesquisadores e pressão pública nas redes sociais. Atualmente, o exemplar integra o acervo do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens.
Além do impacto acadêmico, o retorno desses materiais tem reflexos econômicos e culturais. Museus brasileiros registraram aumento no número de visitantes após receber fósseis repatriados, fortalecendo o turismo científico e a valorização da identidade regional. A Bacia do Araripe, reconhecida pela UNESCO como geoparque mundial, concentra alguns dos fósseis mais importantes do planeta e segue no centro das discussões sobre preservação, ciência e soberania patrimonial.

