Em entrevista ao canal Cara a Tapa, em setembro de 2022, o então presidente Jair Bolsonaro revelou ter determinado apurações sobre Ratanabá, suposta cidade ancestral de 450 milhões de anos na Amazônia. A teoria, amplamente desacreditada pela comunidade científica, ganhou notoriedade após viralizar em redes sociais através de vídeos que mesclavam imagens da floresta com narrativas fantásticas.
Origens da teoria conspiratória
A narrativa sobre a “civilização perdida” surgiu através da organização Dakila Pesquisas, liderada por Urandir Fernandes de Oliveira. O grupo, conhecido por difundir histórias como a do “ET Bilu” em 2010, apresentou supostas “evidências” que incluíam imagens de formações rochosas naturais interpretadas como estruturas arquitetônicas. A estratégia de divulgação utilizou influenciadores digitais e plataformas como TikTok para alcançar jovens.

Envolvimento político
O ex-secretário de Cultura Mário Frias alimentou a polêmica ao publicar foto com Urandir em 2020, sugerindo interesse oficial na teoria. Embora tenha cancelado viagem de inspeção alegando problemas de saúde, o episódio revelou como mitos pseudocientíficos penetraram setores governamentais. Bolsonaro, ao comentar o caso, descreveu o material como “absurdo” mas admitiu despachar equipes para verificação.
Narrativas paralelas
Defensores da tese associaram Ratanabá a supostos interesses geopolíticos globais, argumentando que a proteção ambiental seria cortina de fumaça para controlar acesso à cidade imaginária. Essa versão ignorava dados concretos: na época supostamente retratada (período Ordoviciano), não existiam sequer dinossauros ou plantas terrestres complexas, quanto menos estruturas urbanas.
Impacto nas políticas ambientais
Especialistas apontam que a difusão dessas teorias coincidiu com o aumento recorde do desmatamento. Ao desviar o foco para fantasias arqueológicas, setores governamentais minimizavam discussões sobre crimes ambientais reais, usando o mito como ferramenta de desinformação estratégica.




