As construções de empreendimentos próximas a orlas ganharam forças em todo o Brasil, mas os efeitos da maré alta estão sendo sentidos por alguns moradores. A ocupação urbana irregular sobre áreas de manguezais e terrenos baixos tem feito com que diversos bairros de Vitória, capital do Espírito Santo, sejam alagados.
Diante da ineficiência dos projetos de infraestrutura de drenagem, áreas como Ilha de Santa Maria, Jucutuquara e Maria Ortiz estão registrando frequentes alagamentos. As ruas costumam ficar parcialmente submersas, tornando a locomoção dos moradores uma grande dor de cabeça. Em casos mais graves, é possível se deparar com carros submersos e comércio fechado.

Quando a maré alta surge, a água invade as ruas, mesmo que as chuvas não sejam tão intensas. Para reduzir um pouco os prejuízos, parcela de moradores está construindo barreiras em frente às casas ou até mesmo erguendo novos andares. A fim de contornar a situação, a Prefeitura de Vitória assinou projeto para a construção de galerias pluviais, reservatórios de contenção e sistemas de monitoramento de marés.
“Damos o primeiro passo para minimizar o risco de alagamentos na região e que vai gerar uma economia de quase de um bilhão de reais em saúde pública. Vamos deixar de gastar com doenças. Para que as pessoas não adoeçam, para que elas tenham o seu patrimônio e a vida preservados e para que a cidade tenha uma qualidade de vida cada vez melhor”, anunciou o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini.
A empreitada pretende garantir uma maior qualidade de vida aos munícipes de Vitória. Durante o mês de junho, um contrato foi assinado em parceria com a Caixa Econômica Federal para obras de macrodrenagem na Ilha de Santa Maria, Cruzamento, Monte Belo, Jucutuquara e Fradinhos. A título de curiosidade, foram aprovados investimentos de R$ 249,2 milhões.
Cidades do Brasil estão propensas ao problema
De acordo com Osvaldo Rezende, professor da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a região litorânea do Brasil requer preocupações ainda maiores. Isso porque o aumento da urbanização acentua as inundações, principalmente por serem regiões planas, o que dificulta o escoamento da água.
“O mar é um agente que dificulta o escoamento, principalmente nos momentos de maré alta. De forma geral, todas as regiões metropolitanas no Brasil têm uma propensão muito alta a sofrer inundação. […] A gente também intensifica o próprio perigo. Quando tem mais áreas urbanas, menos florestas para reter a água, menos solo permeável, toda essa água escoa mais rápido. Então, tem um perigo maior”, disse o pesquisador.





