Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) revelou que um programa brasileiro de estimulação cognitiva, chamado Método Supera, pode melhorar a memória,o humor e a qualidade de vida de idosos saudáveis. A pesquisa, publicada em janeiro na revista International Psychogeriatrics, acompanhou pessoas com 60 anos ou mais ao longo de dois anos, avaliando os efeitos do programa.
O estudo foi desenvolvido em parceria entre o Departamento de Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH-USP) e o Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento da Faculdade de Medicina da USP, com financiamento da rede educacional Supera. Participaram 207 idosos, divididos em três grupos: grupo experimental, que realizou o método; grupo controle ativo, que participou de aulas teóricas sobre envelhecimento; e grupo controle passivo, que seguiu a rotina habitual sem intervenção.
O Método Supera oferece aulas semanais de duas horas com atividades lúdicas e estruturadas, como cálculos com ábaco, jogos de tabuleiro, exercícios neuróbicos e interação social. Baseado na Teoria das Inteligências Múltiplas e em conceitos de neuroplasticidade, o programa visa estimular diversas funções cognitivas, além de incentivar a socialização e o engajamento mental contínuo dos idosos.
Estudo com idosos no Brasil mostra resultados expressivos
Os resultados mostraram que, especialmente no grupo que realizou o método, houve melhora em memória, flexibilidade mental, processamento semântico e fluência verbal. A redução de queixas cognitivas e sintomas depressivos também foi significativa, assim como o aumento na percepção de qualidade de vida. Os efeitos mais marcantes apareceram a partir dos 18 meses e se mantiveram seis meses após o fim da intervenção.
Para Thais Bento, gerontóloga e autora principal do estudo, a melhoria na autopercepção do desempenho cognitivo tem muita relevância. A pesquisadora disse que acreditar na própria capacidade de aprendizado e memória reforça a autoestima e a disposição para realizar novas atividades ao longo do envelhecimento. Ou seja, programas estruturados de estimulação cognitiva podem ser aliados importantes na promoção do envelhecimento saudável.





