Frequentemente, idosos são vítimas de golpes devido a uma combinação de fatores sociais, cognitivos e tecnológicos. Diante da vulnerabilidade desses indivíduos, diversos esquemas fraudulentos são evidenciados pelas autoridades. Recentemente, uma nova fraude referente a um suposto bilhete premiado teria subtraído mais de R$ 200 mil somente no Espírito Santo.
Segundo as investigações, três idosas foram vítimas do golpe, acumulando um prejuízo que supera R$ 202 mil. Na ocasião, um homem e duas mulheres foram presos suspeitos de integrar a organização criminosa especializada no estelionato. Luis Fernando do Carmo, Daniela Bottega Oliveira do Carmo e Gabrieli Aparecida de Oliveira Florão foram detidos em frente a uma agência bancária, em Vitória.

Conforme as informações do delegado Jonathan Lana, adjunto da Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações e Falsificações (Defa), somente no mês de novembro do ano passado foram registrados três boletins de ocorrência envolvendo o golpe do bilhete premiado. A vítima de 81 anos perdeu R$ 3 mil, enquanto uma de 84 anos teve prejuízo de R$ 70 mil e a de 73 anos, R$ 129 mil.
Com o enredo criado, a quadrilha traçou o perfil de todas as vítimas com cautela: idosas e moradoras de áreas nobres. Apesar de apenas três boletins terem sido abertos, a polícia segue trabalhando para verificar a possibilidade de outros criminosos estarem envolvidos. Isso porque o delegado acredita que a estrutura da ação contemplava revezamento entre os integrantes.
“Detectamos que se tratava de uma organização criminosa. Então, continuamos as investigações e monitoramos as ações desses estelionatários, sendo que, em janeiro, detectamos que esses estelionatários voltaram ao Estado novamente e agiram da mesma forma que atuaram em novembro”, explicou o delegado adjunto da Defa.
Como o golpe era orquestrado?
Conforme as investigações administradas pela polícia local, a quadrilha atuava com um pilar, sendo o responsável por abordar as vítimas enquanto se passava por uma pessoa humilde. Diante da atenção conquistada, o criminoso alegava precisar de ajuda para encontrar um advogado, pois estaria com um bilhete de loteria premiado.
Em seguida, um outro comparsa entra em cena, afirmando ser um médico ou advogado, oferecendo auxílio imediato. Nessa hora, a dupla encena uma suposta ligação para um funcionário da Caixa Econômica Federal, que confirmava o prêmio milionário. A partir desse momento, convenciam a vítima a entrar no carro para “resolver a situação”.
Com idosos sendo as vítimas, dentro do veículo, a quadrilha tentava manipular o alvo a adquirir o bilhete. Segundo as investigações, os criminosos costumavam afirmar que o bilhete precisava ser vendido, já que a “ganhadora” não poderia aceitá-lo por ser “religiosa”. O problema é que as chantagens começavam a partir do momento em que o interesse era evidenciado.
Em resumo, a suposta “vencedora” solicitava uma garantia de que receberia algo em troca ao vender o bilhete, fator que acarretava dores de cabeça maiores. Em resumo, como garantia, as vítimas costumavam ir a bancos, realizar transferências ou entregar valores em espécie para os golpistas. No fim, após receberem o dinheiro das vítimas, os estelionatários criavam novas histórias para fugir da cena do crime.





