O Governo Federal anunciou uma mudança na política de importação de produtos eletrônicos e equipamentos tecnológicos que pode impactar empresas e consumidores. Após articulação envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda Fernando Haddad, o Comitê-Executivo de Gestão (Gecex), ligado à Câmara de Comércio Exterior (Camex), decidiu zerar as tarifas de importação para 105 produtos e manter alíquotas reduzidas para outros itens.
A maior parte das mercadorias beneficiadas é formada por bens de capital e produtos das áreas de informática e telecomunicações, considerados estratégicos para a modernização produtiva. Com a decisão, parte dos itens que poderiam sofrer aumento de até 7,2 pontos percentuais volta a ter tarifa zero, o que reduz custos para empresas que dependem de tecnologia importada.
Entre os produtos que continuam com tributação, as alíquotas permanecem em níveis reduzidos. Notebooks e smartphones, por exemplo, seguem com tarifa de 16%, após a retomada do patamar original para celulares. Outros itens, como gabinetes com fonte de alimentação, placas-mãe, mouses, mesas digitalizadoras e unidades SSD, permanecem com taxa de 10,8%.
A política tarifária vinha sendo debatida após o Governo Federal elevar impostos de importação com o objetivo de fortalecer a indústria nacional e ampliar a arrecadação. A estimativa inicial era gerar até R$ 14 bilhões neste ano, valor que poderia chegar a R$ 20 bilhões, segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI). Com a revogação parcial, a meta fiscal para 2026 pode enfrentar maior dificuldade.
Na justificativa técnica original, o governo apontava que as importações de bens de capital e informática cresceram 33,4% desde 2022, cenário que poderia pressionar a cadeia produtiva nacional. Já importadores defendem que a indústria brasileira não consegue atender plenamente à demanda e alertam para possíveis impactos na competitividade e na inflação.





