Com a finalidade de consolidar-se ainda mais no cenário internacional, a China assinou projeto para a criação de um novo corredor logístico sul-americano. O objetivo é interligar dois megaprojetos estratégicos: o porto de Chancay, no Peru, e a ferrovia bioceânica, planejada para cruzar o Brasil. Em outras palavras, a empreitada tende a servir como alternativa ao Canal do Panamá.
Por mais de um século, o canal tem sido uma engrenagem fundamental no comércio global, servindo como rota marítima para ligar os oceanos Atlântico e Pacífico. Por sua vez, a idealização chinesa está comprometida em reduzir os custos operacionais e encurtar o tempo de transporte. Como consequência, o país asiático potencializará sua presença política e econômica na América do Sul.
O acordo de viabilização dos estudos foi assinado em julho deste ano. Em resumo, o projeto pretende integrar as ferrovias de Integração Oeste-Leste (Fiol) e Centro-Oeste (Fico) e a Ferrovia Norte-Sul (FNS) ao recém-inaugurado porto de Chancay, no Peru. As análises serão conduzidas pela Infra S.A., estatal vinculada ao Ministério dos Transportes, e pela China Railway Economic and Planning Research Institute.
Quais pontos o empreendimento irá contemplar?
O corredor ferroviário tem uma parte em execução no Brasil, por meio da Fiol, com origem em Ilhéus, na Bahia, e indo até Mara Rosa, em Goiás. Por outro lado, a da Fico partirá de Mara Rosa e se estenderá até Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso. Nesse processo, a cidade goiana será o entroncamento das duas ferrovias com a Ferrovia Norte-Sul, que vai de Açailândia, no Maranhão, a Estrela d’Oeste, em São Paulo.
Em contrapartida, Lucas do Rio Verde demarcará o ponto final da Fico, começando a Ferrovia Bioceânica, que passará pela fronteira do Mato Grosso com a Bolívia, todo o estado de Rondônia e o sul do Acre, na fronteira com o Peru. Nesse ponto, a ferrovia seguirá até o porto de Chancay, construído pelos chineses e inaugurado ao final de 2024.
Alternativa ao Canal do Panamá
Para uma melhor compreensão, o Porto de Chancay redesenhou o cenário peruano, tornando a nação um hub de distribuição da costa oeste da América do Sul. Nesse ínterim, a nova rota direta entre Ásia, Andes e Cone Sul reduz a dependência do Canal do Panamá e encurta percursos marítimos. Já a ferrovia bioceânica funcionará como complementação do porto peruano, criando um sistema capaz de atravessar o continente.
Com o acordo assinado entre Brasil e China, a tendência é de que, no futuro, as cargas possam cruzar a América do Sul por terra até o Atlântico ou Pacífico, identificando e solucionando pontos de estrangulamento. No mais, tende a ofertar alternativa a rotas tradicionais que enfrentam custos crescentes e limitações estruturais.





