Uma nova frente no enfrentamento do Alzheimer começa a ganhar espaço no Brasil, trazendo expectativa, mas também preocupações com o custo elevado. O medicamento lecanemabe surge como uma alternativa viável para pacientes em estágio inicial da doença, com chegada prevista às farmácias no fim do mês de junho de 2026.
Comercializado sob o nome Leqembi, o tratamento terá um impacto financeiro significativo para os brasileiros. O valor mensal pode variar entre R$ 8.108,94 e R$ 11.075,62, a depender da carga tributária de cada estado. Em média, uma única aplicação gira em torno de R$ 5.500, o que reforça o desafio de acesso para grande parte da população do país.

Desenvolvido pelas farmacêuticas Eisai e Biogen, o preço foi definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A liberação para uso no país ocorreu em dezembro de 2025, após a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A proposta do lecanemabe é atuar diretamente nas placas beta-amiloides no cérebro, associadas à progressão da doença.
Novo remédio para Alzheimer terá valor bem elevado
Um estudo publicado no The New England Journal of Medicine, com 1.795 participantes, indicou uma redução de 27% no avanço do quadro ao longo de 18 meses de tesets, apontando um efeito relevante na desaceleração do declínio cognitivo. Apesar do avanço, o tratamento exige atenção.
A administração ocorre por infusão intravenosa, em ambiente hospitalar, com sessões a cada duas semanas. Há contraindicação para pacientes com mutação no gene ApoE4, devido ao risco de efeitos como inchaço cerebral e micro-hemorragias. Além disso, ainda não há definição sobre cobertura por planos de saúde ou inclusão no Sistema Único de Saúde (SUS), o que mantém em aberto o debate sobre o acesso à terapia.





