As obturações metálicas, conhecidas dos brasileiros há décadas, têm data para desaparecer. Até 2034, dentistas de todo o mundo deverão abandonar o uso das amálgamas dentárias, materiais que contêm cerca de 50% de mercúrio e são amplamente empregados em restaurações.
A decisão foi tomada por mais de 150 países durante a sexta conferência da Convenção de Minamata sobre Mercúrio, realizada em Genebra, e representa um passo importante na eliminação gradual desse metal tóxico da odontologia.
O acordo estabelece que, até o prazo final, os países deverão reduzir progressivamente a produção, importação e uso das amálgamas, substituindo-as por materiais alternativos. Essa mudança busca diminuir a exposição de pacientes, profissionais e do meio ambiente ao mercúrio.
Esse elemento químico é classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos dez mais preocupantes para a saúde pública. O metal pode causar danos neurológicos, imunológicos e cardiovasculares quando manipulado ou descartado de forma inadequada.

Pressão internacional e novos caminhos para a odontologia
Durante as negociações, um grupo de países africanos propôs que o banimento total ocorresse já em 2030, mas a resistência de nações como Índia, Irã e Reino Unido levou ao consenso do prazo até 2034.
Apesar das divergências, a decisão foi considerada um marco global. Representantes da União Europeia destacaram que o acordo abre caminho para uma odontologia mais segura, livre de substâncias tóxicas que há muito tempo levantam preocupações ambientais. Para os profissionais da área, a medida exigirá mudanças práticas.
Países que ainda utilizam o material em larga escala precisarão adotar protocolos de transição, capacitar dentistas e ampliar o uso de materiais alternativos, como resinas compostas e cerâmicas. Esses substitutos já são comuns em clínicas e garantem bons resultados sem riscos químicos.





