O Governo Federal anunciou uma nova iniciativa que tem a finalidade de apoiar o setor de negócios de motoristas de aplicativos, com foco em facilitar o acesso a veículos próprios. Nesse cenário, serão destinados até R$ 30 bilhões de recursos do Tesouro Nacional ao programa de crédito voltado, especialmente, para trabalhadores de plataformas como Uber e 99.
O secretário-geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, reforçou que o planejamento é que o novo financiamento reduza a dependência de carros alugados e aumente a renda líquida dos motoristas, que atualmente destinam até 50% de seus ganhos a essas diárias. A ideia é que a taxa de juros, que será regulamentada posteriormente pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), fique abaixo da Selic.

“Um dos grandes problemas do motorista de aplicativo, de Uber, é que às vezes o carro não é dele. Muitos alugam carro em locadora e passam metade do dia de trabalho só para pagar a diária do carro”, justificou o titular da pasta em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro. A fala escancarou a fragilidade econômica dessa classe trabalhadora.
Na prática, esse mecanismo a ser adotado pelo Governo Federal não busca estimular o consumo, mas sim o investimento e a geração de renda, já que o veículo é instrumento de trabalho desses colaboradores. No entanto, apesar da empolgação do segmento, detalhes sobre a data de início e os limites do financiamento ainda serão divulgados pelas autoridades.
Desafios enfrentados pelos motoristas da Uber e 99
Embora o governo esteja trabalhando para garantir a regulamentação dos direitos trabalhistas, a realidade dos condutores de aplicativo no Brasil não é positiva. O principal questionamento dos motoristas diz respeito à falta de clareza sobre a divisão das receitas. Atualmente, a Uber e a 99 são as principais líderes do segmento, mas ainda necessitam oferecer melhorias aos funcionários.
Na análise de Boulos, “os usuários [dos aplicativos] devem saber quanto do valor da corrida vai para o motorista e quanto fica com a empresa”. Isso porque, segundo o secretário, essa transparência tende a servir como uma forma de empoderar os trabalhadores, ao dar visibilidade sobre a eficiência e lucratividade de seu trabalho.





