Na última segunda-feira (2), o Japão anunciou a realização com êxito da perfuração e recuperação de sedimentos marinhos contendo minerais de terras raras no fundo do mar. A empreitada ocorreu próximo de uma ilha remota, tornando o país asiático menos dependente da China. Isso porque a nação vizinha controla a maior parte da produção global de elementos químicos com maior peso atômico.
A operação ocorreu em águas profundas por meio do Chikyu, navio de perfuração científica mais avançado do mundo. Como resultado do amplo investimento, o material foi recolhido a uma profundidade de quase 6 mil metros nas proximidades da ilha de Minamitorishima. A informação foi confirmada pela primeira-ministra Sanae Takaichi.

A título de curiosidade, o teste de recuperação de terras raras nessa profundidade é inédito no mundo. “É um primeiro passo rumo à industrialização de terras raras produzidas domesticamente no Japão. Faremos esforços para alcançar cadeias de suprimento resilientes para terras raras e outros minerais críticos, a fim de evitar dependência excessiva de um país específico”, disse Takaichi.
Entrave criado com a China
O sucesso da operação deixa as autoridades japonesas em uma situação favorável em meio a tensões crescentes com a China, fator que ocorre desde um comentário feito por Takaichi. Na ocasião, em novembro do ano passado, a primeira-ministra ressaltou a possibilidade da participação japonesa em caso de ação militar chinesa contra Taiwan, a ilha autônoma que Pequim considera parte de seu território.
Como forma de retaliação, os chineses suspenderam as exportações para o Japão de bens de uso duplo com potencial aplicação militar, aumentando a preocupação de que as terras raras possam ser incluídas. Em resumo, as terras em questão são mais abundantes que o ouro, mas são difíceis e caras de extrair e processar, além de causarem danos ambientais.
“A recuperação bem-sucedida de sedimentos contendo elementos de terras raras é uma conquista significativa sob as perspectivas da segurança econômica e do desenvolvimento oceânico abrangente”, disparou o vice-secretário-chefe do Gabinete do Japão, Masanao Ozaki.
Importância das terras raras
Apesar do nome levar a crer que seu acesso é escasso, as terras raras estão presentes nas tecnologias que fazem parte do cotidiano mundial. Elas estão imersas desde smartphones até turbinas eólicas, luzes LED e TVs de tela plana. Também são cruciais para baterias de veículos elétricos, aparelhos de ressonância magnética, tratamentos contra o câncer, submarinos, lasers, satélites, mísseis Tomahawk e mais.
Sobretudo, pesquisadores enquadram a existência de 17 elementos nessa segmentação, mas os Estados Unidos englobam um total de 50 minerais considerados críticos. Nessa vertente, os norte-americanos colocam na categoria diversos outros minerais vistos como essenciais para a força econômica e militar da nação.





