O peixe-leão, predador invasor originário do Indo-Pacífico, vem se espalhando rapidamente pelo litoral brasileiro e se tornou motivo de preocupação nacional. Presente desde o Amapá até o sul da Bahia, ele já foi registrado em pelo menos 18 unidades de conservação, incluindo APAs, reservas biológicas e parques nacionais.
Especialistas alertam que, caso nada seja feito, mais da metade das áreas marinhas protegidas do país poderá ser invadida em apenas uma década. O avanço da espécie no Brasil é favorecido pela abundância de alimento, temperaturas elevadas e ausência de predadores naturais capazes de controlar sua expansão.
Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará destacam que o peixe-leão consome até 29 espécies nativas, afetando a biodiversidade local e impactando diretamente a pesca artesanal, atividade que sustenta muitas famílias no Norte e Nordeste do país.

Expansão e riscos à população
Além da ameaça ecológica, o peixe-leão representa um risco para pescadores e marisqueiras, pois seus espinhos são venenosos. O contato pode provocar febre, náuseas, alterações cardíacas e outros sintomas graves. No Ceará, o animal já foi encontrado em manguezais, demonstrando sua capacidade de ocupar ambientes diversos e aumentar o potencial de interação com humanos.
Estudos mostram que exemplares brasileiros crescem mais rápido e atingem tamanhos maiores do que em regiões de origem, com indivíduos chegando a quase 50 centímetros. As fêmeas se reproduzem cedo e liberam grande quantidade de ovos, acelerando a expansão da espécie.
Modelos de projeção indicam que, até 2034, o peixe-leão deve alcançar o Sudeste e ocupar cerca de 60% das unidades de conservação costeiras. Até o momento, apenas Fernando de Noronha mantém ações contínuas de captura, mas os esforços ainda são insuficientes frente ao ritmo de invasão.





