Considerada uma das animações de maior bilheteria no mundo, Shrek, da DreamWorks Animation, permanece na memória de muitas pessoas, principalmente pela mensagem por detrás da obra. Apesar de retratar um ogro como o personagem principal da trama, os produtores basearam-se em um lendário lutador para dar vida ao desenho.
A referência foi Maurice Tillet, um profissional do wrestling conhecido como “The French Angel” (O anjo francês). Embora tenha sido campeão dos pesos-pesados na década de 40, o lutador chamava a atenção por sua aparência não muito convencional. Sua anatomia era resultado de uma condição médica rara chamada acromegalia, resultando no crescimento desordenado de mãos, pés, ossos faciais e órgãos internos.

Em 1903, na Rússia, nascia aquele que se tornaria a maior inspiração para a franquia de Shrek. Diante da Revolução Russa, ainda muito jovem, o lutador se mudou para a França, despertando a atenção por onde chegava. Mesmo com a aparência incomum, relatos confirmam que a carcaça do gigante escondia um ser humano bastante humorado.
Dono de uma inteligência singular, Tillet era capaz de falar 14 idiomas e também tinha aptidão para atuar e escrever poesia. Porém, aos 17 anos, desenvolveu a doença que o acompanharia para o resto da vida. Apresentando uma outra forma física, teve sua imagem popularizada nos Estados Unidos em 1937, principalmente com o mérito dos pesos-pesados pela American Wrestling Association.
De onde surgiu a conexão com Shrek?
As peculiaridades que colocaram a figura de Tillet no protagonismo dos ringues, levaram os produtores de Shrek a desenharem um ogro com as suas características. De acordo com algumas histórias não oficiais sobre a criação do personagem da DreamWorks, os desenhistas construíram o simpático monstro após se depararem com um busto do lutador exposto em um museu.
Por sua vez, Tom Latour, um dos maiores pesquisadores da vida do atleta, confirma as semelhanças entre o ogro e Tillet. Para ele, além das questões físicas, comportamentos são evidenciados em Shrek que são oriundos do lutador. Em entrevista cedida ao UOL Esporte, o historiador detalhou que, no ringue, o “O anjo francês” costumava rosnar em direção aos oponentes, assim como o personagem faz com o Burro.
“Maurice era conhecido na vida real por ser sensível, gentil, orgulhoso e nobre. Penso em Maurice atuando como um monstro, mas no final de cada apresentação, ele abria aquele sorriso bobalhão que parece um espelho do sorriso do Shrek e aí ninguém mais acreditava em sua monstruosidade”, afirma Latour, que abreviou a vida do lutador aos 51 anos, vítima de complicações de sua condição clínica.





