A Justiça de São Paulo determinou uma perícia para apurar o valor real da fortuna deixada por Silvio Santos, reacendendo o debate sobre o patrimônio acumulado pelo empresário durante décadas à frente do SBT e das empresas do Grupo Silvio Santos.
A decisão ocorre em meio a uma ação movida por Íris Abravanel e pelas seis filhas, que tentam liberar R$ 429 milhões mantidos em uma instituição financeira nas Bahamas, quantia que integra o espólio e se tornou o principal ponto de disputa.
O processo, em sigilo desde fevereiro de 2025, teve novos detalhes divulgados no Diário Oficial. A 16ª Vara da Fazenda Pública determinou uma perícia contábil independente para calcular o patrimônio líquido das sociedades envolvidas, já que a Justiça quer confirmar se os R$ 6,4 bilhões declarados correspondem ao total real.

O centro da disputa patrimonial
O sigilo foi solicitado pelas herdeiras, que alegaram exposição de informações financeiras sensíveis. A maior parte do montante contestado, cerca de R$ 428 milhões, está vinculada à Daparris Corp Ltd, empresa nas Bahamas considerada paraíso fiscal.
Para que esse valor seja liberado, o governo paulista exige o pagamento do ITCMD, imposto devido na transmissão de herança, estimado em R$ 17 milhões. A família argumenta que a cobrança é indevida, afirmando que valores mantidos no exterior não se enquadram na legislação estadual.
O imposto chegou a ser depositado como garantia, mas poderá ser devolvido caso a decisão seja favorável às herdeiras. Elas também afirmam que assumiram a quitação de uma dívida de R$ 10 milhões referente a um empréstimo contraído por Silvio antes de sua morte.
Já o governo de São Paulo sustenta que existem inconsistências nos valores apresentados e que parte do patrimônio transferido para empresas do grupo teria sido subavaliado em aproximadamente R$ 47 milhões.





