A Rússia acabou descobrindo reservas de petróleo localizadas na Antártida em junho. A projeção é que essas reservas possuam em torno de 500 bilhões de barris de petróleo, aproximadamente o dobro das reservas encontradas em 2022 da Arábia Saudita, de acordo com a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).
Segundo a “Forbes”, a informação foi tirada do Comitê de Auditoria Ambiental da Câmara dos Comuns (EAC) do Reino Unido e a descoberta foi realizada por navios de pesquisa da Rússia no Mar de Weddell, que se encontra sob reivindicação do território ultramarino britânico.
Apesar do potencial de exploração, o local não pode ser explorado pela Rússia porque está sob proteção do Tratado da Antártida de 1959. O documento foi feito depois da soberania da Antártida ser discutida.
Ao todo, o continente possui sete requisitantes históricos, como a Argentina, Austrália, Chile, França, Nova Zelândia, Noruega e Reino Unido. Contudo, segundo o vice-presidente do Comitê Científico de Investigação Antártida (SCAR), Jefferson Simões, essas requisições de propriedade estão sob suspenção.
“Esse documento indica que a Antártida é um continente dedicado à ciência e à paz e não reconhece nenhuma soberania em nenhum território, mas ao mesmo tempo os países que têm reivindicações territoriais não deixaram de fazê-las, ou seja, congelou a situação que estava na década de 50, mas eles seguem de olho no território”, disse Simões.
Entenda o motivo da Rússia não poder explorar as reservas de petróleo
Sobre o petróleo e a exploração de recursos naturais, o vice-presidente afirma que o debate entrou na Convenção de Proteção Ambiental da Antártida em 1991, que estabeleceu que não vai ser permitido a exploração e nem a produção de petróleo, “garantindo que a região seja usada exclusivamente para fins pacíficos e evitando seu uso como foco de conflitos internacionais.”
Simões afirma que o tratado foi necessário para proteger o meio ambiente, que é sensível e possui diversas espécies que se adaptaram às condições limites de vida, que sofreriam impactos em caso de exploração. Além disso, no decorrer do inverno o mar congela, se acontecer um vazamento de óleo, o recurso vai ficar preso entre a superfície congelada e o mar, e a cadeia alimentar seriam afetados.
“O ambiente (da Antártida) é muito mais sensível do que o ambiente de um clima temperado tropical. Na área, muito dos processos químicos de degradação de óleos seriam mais lentos e demorariam décadas para serem removidos”, afirma.





