De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), existem aproximadamente 1,1 bilhão de pessoas vivendo em pobreza multidimensional aguda em 109 países. Isso equivale a 18% de toda a população do planeta. No entanto, a Rússia montou uma estratégia que pode reduzir esse número, especialmente com uma parceria assinada com o Brasil.
O país europeu, considerado o maior exportador de trigo do mundo, pretende criar reservas de alimentos conjuntas com membros do Brics (formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Irã e Indonésia) e antigos vizinhos soviéticos. O objetivo principal é combater os riscos à segurança alimentar global, especialmente em meio ao conflito no Oriente Médio.

“Para garantir a segurança alimentar, é muito importante expandir a cooperação com países amigos, principalmente os Estados membros da União Econômica Eurasiática e do Brics, inclusive por meio da criação de reservas conjuntas de alimentos”, explicou o vice-secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Alexander Maslennikov.
Para entender o cenário atual, aproximadamente metade dos alimentos do mundo é cultivada com o uso de fertilizantes. Em contrapartida, um terço do comércio global desses produtos costumava passar pelo Estreito de Ormuz, uma das vias marítimas mais estratégicas do mundo. Porém, com o entrave entre Estados Unidos e Irã, o trecho está praticamente fechado.
Implicações evidenciadas
O Estreito de Ormuz corresponde a um canal marítimo estratégico vital, situado entre o Irã (norte) e Omã/Emirados Árabes Unidos (sul). Por ligar o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico, é imprescindível para as exportações de produtos para todo o mundo. A título de curiosidade, por ele passam cerca de 20% do petróleo e gás natural consumidos no planeta.
Para colocar o plano estratégico em prática, Maslennikov reforçou que a crise do Oriente Médio representa amplos riscos à segurança alimentar global. Nesse sentido, estima-se que, se a escassez mundial de fertilizantes persistir até o início do verão, a produtividade das principais culturas poderá cair pela metade. Por consequência, será evidenciado o aumento da inflação mundial de alimentos.
O problema central é que, embora seja um dos protagonistas da produção e exportação de fertilizantes, a Rússia não consegue aumentar a produção durante este ano. Por outro lado, a parceria com o Brics tende a garantir uma sobrevida, enquanto o entrave no Oriente Médio ganha novos contornos, potencializando o aumento dos preços dos alimentos e a insegurança alimentar.





