O agronegócio, considerado um dos principais pilares da economia nacional, enfrenta um cenário preocupante. No segundo trimestre de 2025, o setor bateu um recorde histórico de pedidos de recuperação judicial: foram 565 solicitações, número que supera com folga os 429 casos registrados no mesmo período de 2024.
Do total, 243 pedidos vieram de pessoas jurídicas, o que representa a maior parcela. Logo depois aparecem as pessoas físicas, com 220 registros, enquanto outras 102 solicitações foram feitas por empresas vinculadas ao setor. A expansão desses números evidencia que as dificuldades atingem diferentes perfis, desde pequenos produtores individuais até grandes companhias do ramo agrícola.

Estados mais afetados pelo avanço da crise
A concentração de pedidos de recuperação judicial também chama atenção. Goiás lidera a lista, com 94 casos, seguido por Mato Grosso (73), Rio Grande do Sul (66), Minas Gerais (63) e Paraná (63). Esses cinco Estados, juntos, são responsáveis por mais da metade da produção agropecuária brasileira, o que amplia o impacto do problema sobre o desempenho da economia nacional.
Entre os fatores que explicam o aumento expressivo das ações estão a queda nos preços internacionais de algumas commodities, o aumento dos custos de produção, a variação cambial e o endividamento acumulado por produtores nos últimos anos. Além disso, mudanças climáticas e eventos extremos também têm reduzido a previsibilidade da safra, deixando produtores mais vulneráveis.
O crescimento dos pedidos de recuperação judicial no agro preocupa especialistas porque afeta não apenas os produtores, mas toda a cadeia produtiva. Transportadoras, fornecedores de insumos, indústrias de processamento e até o comércio local sofrem os efeitos da instabilidade financeira do setor.





