Apesar de sua importância para a formação acadêmica e profissional das pessoas, os professores enfrentam um processo de desvalorização estrutural e multifatorial não só no Brasil. Recentemente, uma pesquisa encabeçada pela Education Week confirmou que metade dos docentes que atuam na Califórnia, terceiro maior estado dos Estados Unidos, deseja abandonar a carreira nos próximos anos.
Na prática, os baixos salários, precárias condições de trabalho, sobrecarga e falta de reconhecimento são alguns dos fatores que levam os professores a pensarem sobre a sequência de suas funções. Segundo o levantamento, 50% dos docentes desejam se aposentar ou deixar a profissão na próxima década. Essa porcentagem supera a média nacional, em que é estimado o abandono por parte de 35% dos técnicos.

Ainda que a desvalorização seja excessiva, a principal motivação está ligada a fatores econômicos. Em contrapartida, essa movimentação tem ligado o sinal de alerta das instituições de ensino, já que a escassez de professores pode aumentar. Nesse cenário, os alunos serão os mais impactados, podendo não encontrar profissionais para orquestrar disciplinas essenciais, como ciências, matemática e educação bilíngue.
O que fez os professores mudarem a postura?
Para uma melhor compreensão, a visão dos docentes começou a mudar durante a pandemia, quando o ensino à distância representou um desafio sem precedentes. De modo geral, dificuldades técnicas tomaram conta das aulas e a adaptação à nova realidade mostrou-se caminhar a passos lentos. Posteriormente, com a volta ao presencial, a falta de recursos potencializou ainda mais a vontade de lecionar dos californianos.
Nesse ínterim, os profissionais enfrentaram entraves com os próprios alunos. Ainda segundo a pesquisa, 3/4 dos docentes do ensino fundamental, 61% dos professores do ensino médio e 54% dos professores do ensino superior relataram que o comportamento dos estudantes permanece piorando. Isso se deve, em parte, à perda de socialização durante a pandemia e à transição para modelos disciplinares de justiça restaurativa.
Diante da falta de companheirismo, os docentes entrevistados esclareceram que a melhoria do comportamento dos alunos aumentaria o moral de todos os profissionais. A título de curiosidade, mais da metade defendeu medidas como restrições ao uso de celulares em sala de aula, punições mais severas para condutas inadequadas e maior envolvimento dos pais na educação comportamental dos filhos.
Em continuidade, o abandono da profissão também está atrelado ao tamanho das turmas. Na Califórnia, as salas comportam um dos números mais elevados do país, correspondendo a 29 alunos. Na análise dos professores, a redução do tamanho das turmas poderia tornar a gestão das aulas melhor, além de proporcionar um clima escolar mais assertivo.





