Os sucessivos aumentos do salário mínimo acima da inflação têm elevado a renda média dos trabalhadores brasileiros. Entre janeiro e setembro de 2025, a renda média do trabalho cresceu 4%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.
Setores como serviços, comércio, construção e agricultura foram os mais impactados, com aumentos que variaram de 3,9% a 6,5%, refletindo diretamente nos salários próximos ao piso nacional e produzindo efeito extravasamento para faixas salariais ligeiramente superiores.
O salário mínimo, que passou de R$ 1.518,00 em 2025, deve atingir R$ 1.630,00 em 2026, considerando a inflação e o crescimento do PIB, conforme o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO).
A Política de Valorização do Salário Mínimo, retomada em 2023, determina que o reajuste seja composto pela inflação do ano anterior somada à variação positiva do PIB de dois anos antes, garantindo aumento real para os trabalhadores.
Emprego e arrecadação fortalecem economia
O impacto positivo do aumento do salário mínimo também é ampliado pelo crescimento do emprego formal desde 2023. Com mais trabalhadores com carteira assinada, uma parcela significativa recebe salários próximos ao piso, reforçando o efeito sobre a renda média.
Estima-se que 59,9 milhões de brasileiros tenham o rendimento referenciado no salário mínimo, e o reajuste de 2025 gerou acréscimo de R$ 81,5 bilhões na economia e R$ 43,9 bilhões em arrecadação tributária sobre o consumo.
Além disso, o salário mínimo influencia benefícios previdenciários, pois quase 70% dos pagamentos do INSS são atrelados ao piso nacional. A base de contribuintes reflete o crescimento econômico: em 2024, o RGPS chegou a 62,2 milhões de contribuintes e 6,9 milhões de benefícios concedidos, alta de 33,1% em dez anos.





