Consolidada como a maior plataforma de transporte de passageiros do mundo, a Uber pode ter uma reviravolta sem precedentes em sua receita. Isso porque está em discussão no Brasil o Projeto de Lei 152/2025, que propõe a regulamentação do trabalho por meio de aplicativos. Na análise do presidente da empresa, Dara Khosrowshahi, em caso de aprovação, os valores da corrida subirão em até 60%.
Nos últimos dias, o representante da companhia norte-americana desembarcou em Brasília para se encontrar com integrantes do Governo Federal. O objetivo da reunião foi entender como uma mudança na legislação pode gerar prejuízos à Uber. Isso porque a proposta prevê pagamento de uma remuneração mínima aos motoristas.
Por outro lado, o texto ainda reforça a necessidade de classificar os aplicativos como prestadores de serviço, fator que mudaria a relação de trabalho da empresa com mais de dois milhões de motoristas. Diante desse cenário, Khosrowshahi esclareceu que não pretende cortar as operações em território brasileiro, mas que a tendência é que impactos reflitam também na queda dos negócios.
“O que queremos que seja reconhecido é que somos uma plataforma tecnológica, não um provedor de serviços de transporte. Seria muito prejudicial para os trabalhadores e faria os preços subirem muito em todo o país, e o negócio diminuiria… Nossos motoristas não apoiam isso. Não há razão para voltar ao trabalho por carteira assinada. Esse era o modelo de trabalho de 50 anos atrás”, pontuou Dara.
Embora seja contra o Projeto de Lei 152/2025, o presidente da Uber reafirmou que o Brasil é um dos melhores mercados para operar. A título de compreensão, já foram realizadas mais de 17 bilhões de viagens desde que a operação estreou em 2014, com R$ 230 bilhões em receita gerada aos condutores, segundo a empresa norte-americana.
Elevação nos preços da corrida
Reforçando seu compromisso com os colaboradores, a companhia entende a necessidade de respeitar a legislação, mas reforça os prejuízos trazidos por uma possível aprovação do projeto. De acordo com o presidente da Uber, exigir um pagamento mínimo aos motoristas, além da carteira assinada, tende a prejudicar o orçamento daqueles que dependem do aplicativo como passageiros ou condutores.
“Temos mais de 2 milhões de parceiros [motoristas] que ganham dinheiro conosco no Brasil… Com algumas das propostas que vimos, os preços poderiam aumentar 50% ou 60%, o que reduziria substancialmente o número de motoristas que poderiam estar na plataforma. Seria péssimo para os consumidores. Mas devo dizer que estou otimista de que encontraremos um caminho melhor”, pontuou.





