A disputa pelo Essequibo, região que faz fronteira direta com o Brasil por meio do estado de Roraima, voltou ao centro das atenções internacionais após a Corte Internacional de Justiça receber novos documentos apresentados pela Venezuela em 2025. Embora o território não seja brasileiro, a ligação geográfica e estratégica torna o tema sensível para o país, especialmente por envolver uma extensa faixa de fronteira na região Norte.
A área em disputa possui cerca de 160 mil km² e está sob controle da Guiana. Além da dimensão territorial, o Essequibo ganhou ainda mais relevância nos últimos anos por conta de suas riquezas naturais, incluindo grandes reservas de petróleo, o que elevou o interesse internacional e aumentou a tensão entre os dois países.
O conflito remonta ao século XIX, quando o território foi alvo da expansão colonial britânica. Em 1899, o chamado Laudo de Paris definiu a área como pertencente ao Reino Unido, decisão rejeitada pela Venezuela, que a considera ilegítima. Esse posicionamento histórico segue sendo um dos pilares da reivindicação venezuelana até os dias de hoje.
Venezuela reacende tensão por território Essequibo
Durante a Questão do Rio Pirara (1904), o Brasil perdeu parte do território sul do Essequibo para o Reino Unido. Já em 1966, o Acordo de Genebra reconheceu formalmente a existência da controvérsia e estabeleceu que a solução deveria ser buscada por meio de negociações. No entanto, a falta de consenso ao longo das décadas manteve o impasse, com períodos de maior tensão diplomática entre Caracas e Georgetown.
Mais recentemente, a descoberta de petróleo e ações políticas, como referendos e mobilizações militares, intensificaram o conflito. Enquanto a Venezuela defende um diálogo direto e questiona decisões internacionais, a Guiana aposta na via judicial e no apoio externo. Nesse cenário, o Brasil acompanha com cautela, já que qualquer escalada pode impactar diretamente a estabilidade regional e a segurança em sua própria fronteira.





