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Morre aos 89 anos Harald V, rei da Noruega desde 1991

Ele estava no trono desde 1991 mas, assim como em quase todos os países europeus, tinha influência insignificativa na administração púbica

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Morreu aos 89 anos o rei Harald V da Noruega, monarca que tratava complicações relacionadas a uma doença hematológica. Ele morreu nesta sexta-feira, 28, no Hospital Nacional de Oslo, às 6h35, horário local, segundo o palácio real.

Ao longo de mais de três décadas no trono, Harald tornou a monarquia norueguesa mais moderna e manteve alta popularidade entre a população. Apesar da idade avançada e de problemas de saúde nos últimos anos, recusou-se a abdicar, como fizeram outros monarcas europeus.

O mais velho dos monarcas da Europa sofria de anemia hemolítica, um distúrbio provocado por uma destruição anormalmente rápida das hemácias, que se manifesta com fadiga, palidez e dificuldade para respirar.

Harald estava internado desde 17 de agosto no Hospital Nacional de Oslo. Ele foi hospitalizado devido a uma retenção de líquidos provocada pelo tratamento com cortisona, o que o levou a se afastar de suas funções por motivos de saúde durante duas semanas.

No domingo, 23, o Palácio Real havia informado que ele recebeu antibióticos para tratar uma infecção bacteriana no sangue e respondeu bem ao tratamento durante o fim de semana mas teve o quadro agravado na última quinta-feira, 27.

Com a morte do rei, seu filho, o príncipe herdeiro Haakon, assume automaticamente o trono como rei Haakon VIII.

Assim como ocorre em outras monarquias europeias, a família real norueguesa exerce funções predominantemente simbólicas. Os monarcas mantêm uma presença pública semelhante à de celebridades, enquanto o poder político na Noruega, país com cerca de 5,5 milhões de habitantes, está concentrado no Parlamento eleito e no governo.

Harald assumiu o trono em janeiro de 1991, após a morte de seu pai, o rei Olav V, nascido na Grã-Bretanha. Seu reinado coincidiu com um período de forte prosperidade econômica na Noruega, impulsionada principalmente pela exploração de petróleo e gás.

Ainda criança, deixou a Noruega com a família durante a Segunda Guerra Mundial, após a invasão e ocupação do país pela Alemanha nazista. Ele passou vários anos nos Estados Unidos antes de retornar à Noruega.

Na juventude, também enfrentou resistência da família real ao seu relacionamento com Sonja Haraldsen, sua namorada desde os tempos de escola e filha de um comerciante. O casal se casou em 1968, depois de o então príncipe obter autorização para a união.

A relação ajudou a marcar a modernização da monarquia norueguesa que passou a adotar uma postura mais próxima da sociedade e menos rígida em relação às tradições da realeza.

"Uma nação inteira está de luto e o povo da Noruega sente uma profunda gratidão por uma longa vida a serviço da Noruega”, disse o primeiro-ministro Jonas Gahr Støre em um comunicado. “Por mais de três décadas como monarca, Harald V demonstrou uma fé inabalável no povo norueguês. Ele nos ajudou a enxergar o melhor em nós mesmos - e uns nos outros."

AVIAÇÃO

Sindicato mantém 'profunda desconfiança' sobre líderes da Boeing

Eventos que respaldam a desconfiança incluem deterioração de empregos, priorização de prazos em detrimento de qualidade e segurança e mais

22/08/2026 20h00

Proposta da Boeing incluía, além de um contrato de trabalho com duração de quatro anos, aumentos salariais vinculados à inflação - limitados a 3% - e ao desempenho individual,

Proposta da Boeing incluía, além de um contrato de trabalho com duração de quatro anos, aumentos salariais vinculados à inflação - limitados a 3% - e ao desempenho individual, Reprodução/Internet

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Após rejeição por ampla maioria na sexta-feira, 21, da proposta de contrato de quatro anos apresentada pela Boeing, o sindicato que representa engenheiros e trabalhadores técnicos da fabricante de aviões localizados em Seattle lançou uma pesquisa para que os funcionários apontem o que seria necessário para aceitar uma nova proposição.

"Ouvimos de milhares de membros da SPEEA Sociedade de Empregados Profissionais de Engenharia do Setor Aeroespacial que a profunda desconfiança em relação aos líderes da Boeing continua. A origem dessa desconfiança está enraizada em experiências individuais, nas quais testemunhamos eventos comuns", diz a entidade sindical em nota.

Os eventos que respaldam a desconfiança incluem deterioração de empregos representados pelo sindicato, transferidos para outros Estados dos EUA ou terceirizados no exterior; a priorização de prazos em detrimento de qualidade e segurança; decisões de engenharia técnica anuladas ou ignoradas, e, por fim, salários que não acompanham a inflação e o mercado de trabalho do setor aeroespacial.

"Nós nos importamos de verdade há todos esses anos, e nossos esforços, particularmente nos dois últimos contratos, não foram reconhecidos, valorizados nem recompensados", afirma o sindicato

A proposta da Boeing incluía, além de um contrato de trabalho com duração de quatro anos, aumentos salariais vinculados à inflação - limitados a 3% - e ao desempenho individual, além de outras métricas não especificadas determinadas pela empresa.

Os 17.000 integrantes da SPEEA também votaram para dar à equipe de negociação o poder de convocar uma greve quando o contrato expirar, em 6 de outubro, informou o sindicato.

Uma paralisação atrasaria ainda mais as campanhas de certificação da Boeing para os aviões 737 Max 10 e 777-9, ambos com atraso de vários anos em relação ao cronograma.

 

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Artigo

Segurança jurídica começa com boa governança, não com previsões perfeitas

Novas leis, alterações regulatórias, evolução da jurisprudência, transformações tecnológicas e demandas sociais modificam continuamente o ambiente em que empresas

21/08/2026 08h43

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Poucos conceitos são tão invocados no ambiente de negócios quanto a segurança jurídica. Ela aparece em debates sobre investimentos, reformas econômicas, desenvolvimento e competitividade. Frequentemente, porém, o termo é tratado como sinônimo de estabilidade absoluta – uma condição que, na prática, não existe.

Toda atividade econômica está sujeita a mudanças. Novas leis, alterações regulatórias, evolução da jurisprudência, transformações tecnológicas e demandas sociais modificam continuamente o ambiente em que empresas e investidores atuam. Esperar um cenário completamente previsível é ignorar a própria dinâmica da economia.

Isso não significa que a segurança jurídica tenha perdido importância. Pelo contrário. Seu verdadeiro significado está na existência de instituições capazes de oferecer regras claras, decisões fundamentadas e mecanismos que permitam às empresas avaliar riscos e planejar suas atividades com racionalidade.

Mais do que eliminar a incerteza, a segurança jurídica deve permitir que ela seja administrada. Essa distinção é fundamental. Organizações mais maduras não constroem suas estratégias supondo que o ambiente permanecerá inalterado. Elas trabalham com cenários, desenvolvem mecanismos de governança, monitoram mudanças regulatórias e incorporam análises jurídicas ao processo de tomada de decisão.

Esse comportamento produz vantagens competitivas relevantes. Empresas preparadas respondem mais rapidamente às mudanças, reduzem custos decorrentes de litígios, preservam sua reputação e transmitem maior confiança a investidores, parceiros comerciais e instituições financeiras.

Ao mesmo tempo, o poder público se beneficia quando há previsibilidade institucional. Ambientes regulatórios transparentes, regras estáveis e processos decisórios consistentes reduzem conflitos, estimulam investimentos e favorecem o crescimento econômico de longo prazo.

Naturalmente, divergências de interpretação continuarão existindo. Elas fazem parte de qualquer Estado de Direito. O que diferencia um ambiente saudável é a existência de mecanismos que permitam solucionar essas divergências com coerência, transparência e respeito às garantias legais.

A discussão sobre segurança jurídica, portanto, não deve se concentrar na busca de um mundo sem riscos.

Esse objetivo é inalcançável. O verdadeiro desafio consiste em construir instituições e práticas de governança que permitam administrar a incerteza de forma eficiente.

Empresas que compreendem essa realidade deixam de enxergar a mudança como ameaça permanente e passam a tratá-la como um elemento inerente ao ambiente de negócios. A competitividade não nasce da ausência de riscos, mas da capacidade de enfrentá-los com planejamento, informação qualificada e decisões bem fundamentadas.

No cenário econômico atual, essa talvez seja a definição mais moderna de segurança jurídica: não a promessa de previsibilidade absoluta, mas a confiança de que mesmo diante da incerteza será possível decidir, investir e crescer com responsabilidade.

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