Cidades

MATO GROSSO DO SUL

Instituto diz que saneamento gera economia de R$ 16 bilhões para MS

Estudo apresentado pelo Trata Brasil na Governadoria aponta que universalização do saneamento deve render R$ 25 bilhões em benefícios até 2040; Estado projeta ser o primeiro do país a atingir a meta

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A universalização do saneamento básico em Mato Grosso do Sul deve gerar um ganho líquido de R$ 16 bilhões até 2031, segundo estudo apresentado na manhã desta segunda-feira (22) pelo Instituto Trata Brasil, durante evento realizado na Governadoria, em Campo Grande.

O levantamento, apresentado pela diretora-executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, avaliou os impactos econômicos e sociais da expansão dos serviços de água e esgoto no Estado e apontou que os benefícios ultrapassam significativamente os custos dos investimentos necessários para atingir a universalização.

De acordo com o estudo, o benefício bruto acumulado entre 2025 e 2031 deve alcançar R$ 25 bilhões. Mesmo após a universalização dos serviços, prevista para ocorrer antes do prazo estabelecido pelo Marco Legal do Saneamento, os ganhos continuarão sendo registrados. Até 2040, o benefício bruto total estimado chega a R$ 40 bilhões.

“O benefício do saneamento não termina quando a universalização é alcançada. Ele continua acontecendo, é um benefício que perpetua gerações”, destacou Luana Pretto durante a apresentação.

O estudo calcula que cada R$ 1 investido em saneamento básico em Mato Grosso do Sul gera retorno de R$ 5,09 para a sociedade, índice superior à média nacional, estimada em R$ 4,10.

Entre os principais impactos projetados até 2031 estão a redução de R$ 233 milhões em custos com saúde, R$ 8 bilhões em ganhos de produtividade no trabalho, quase R$ 1 bilhão em valorização imobiliária e R$ 1,2 bilhão relacionados ao turismo.

Além dos benefícios futuros, o levantamento também analisou os resultados obtidos nas últimas duas décadas. Entre 2005 e 2024, o avanço do saneamento em Mato Grosso do Sul gerou saldo positivo de R$ 19 bilhões, considerando fatores como redução de despesas com saúde, aumento da produtividade, valorização imobiliária e fortalecimento da atividade turística.

Durante o evento, o diretor-presidente da Sanesul, Renato Marcílio, afirmou que os resultados são consequência de uma política pública iniciada ainda na gestão do ex-governador Reinaldo Azambuja e mantida pelo governador Eduardo Riedel.

Segundo ele, o Estado já está em trajetória consolidada para alcançar a universalização dos serviços antes do prazo legal previsto para 2033.

"Os resultados são muito bons, falta bastante, mas o que eu falo, já está nos trilhos, já está encaminhado para que a gente consiga atingir a universalização, cinco anos antes do marco legal da obrigação legal, afirmou.

O avanço da rede de esgotamento sanitário foi destacado também por representantes das concessionárias e parceiros do setor. Conforme dados apresentados no encontro, houve incremento de 28% na cobertura de esgoto nos últimos três anos e meio, o equivalente a quase 110 mil novas ligações domiciliares.

Atualmente, são implantadas cerca de 3,9 mil novas ligações de esgoto por mês, beneficiando aproximadamente 12 mil pessoas mensalmente.

Primeiro Estado a universalizar

Ao encerrar o evento, o governador Eduardo Riedel afirmou que Mato Grosso do Sul está próximo de se tornar o primeiro estado brasileiro a universalizar o saneamento básico.

Segundo ele, o projeto começou a ser estruturado ainda em 2015 e passou por um longo processo de negociação com municípios, câmaras municipais, órgãos de controle e o mercado até a assinatura da parceria em 2021.

Riedel destacou que o avanço dos investimentos permitiu acelerar a expansão da cobertura e afirmou que o Estado conseguiu “dar uma virada de investimento maciço” em um curto espaço de tempo.

“A gente pode ter orgulho que Mato Grosso do Sul vai ser o primeiro estado do Brasil a ter o saneamento básico universalizado”, declarou.

O governador também citou que os investimentos previstos para 2026 somam R$ 722 milhões.

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CASO DE POLÍCIA

Polícia recupera máquina de estética de R$ 450 mil em Campo Grande

Equipamento foi localizado pela Polícia Civil após uma sequência de repasses irregulares; segundo a investigação, suspeito chegou a exigir R$ 8,5 mil para devolvê-lo.

01/10/2026 19h34

Equipamento de estética avaliado em R$ 450 mil foi recuperado pela Polícia Civil em Campo Grande.

Equipamento de estética avaliado em R$ 450 mil foi recuperado pela Polícia Civil em Campo Grande. Foto: Divulgação da Polícia Cívil.

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Um equipamento de estética avaliado em R$ 450 mil foi recuperado pela Polícia Civil após uma sequência de repasses irregulares e uma suposta cobrança de R$ 8,5 mil para a devolução do aparelho, em Campo Grande. A máquina, utilizada em procedimentos de ultrassom microfocado, foi localizada no fim da tarde desta quarta-feira (30).

A recuperação foi realizada por investigadores da 3ª Delegacia de Polícia (3ª DP) da Capital. Conforme as informações divulgadas pela Polícia Civil, o caso começou depois que o equipamento de alta tecnologia passou por uma série de sublocações.

Segundo a investigação, a última pessoa que estava com a máquina por meio de locação não teria cumprido o prazo estabelecido para devolvê-la.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, o equipamento, avaliado em quase meio milhão de reais, teria sido utilizado como garantia para abater uma dívida pessoal decorrente de um empréstimo a juros.

A partir daí, o aparelho teria sido repassado indevidamente a uma clínica de estética instalada em um condomínio empresarial na Avenida Afonso Pena, uma das principais vias de Campo Grande.

Equipamento desapareceu da clínica

Ao descobrir onde a máquina possivelmente estava, a vítima acionou a Polícia Militar para verificar a situação no estabelecimento. Quando os policiais chegaram à clínica, entretanto, o equipamento já não estava mais no local.

Conforme o relato divulgado pela Polícia Civil, o aparelho teria sido retirado do estabelecimento antes da chegada dos militares.

A corporação também afirma que a versão apresentada pela proprietária da clínica sobre o paradeiro da máquina foi posteriormente constatada como inverídica.

Durante as buscas pelo equipamento, as vítimas fizeram contato telefônico com o homem apontado como possível detentor do aparelho. Segundo a polícia, durante a ligação ele teria passado a exigir R$ 8,5 mil para devolver a máquina.

Diante do desaparecimento do equipamento e da cobrança para recuperá-lo, a vítima procurou a 3ª DP e registrou o caso.

Investigadores iniciaram diligências para identificar onde o aparelho havia sido levado e impedir que ele fosse novamente transferido ou desaparecesse definitivamente.

Máquina é recuperada

Após as diligências, a equipe da 3ª DP conseguiu identificar o paradeiro do equipamento e recuperá-lo ainda na quarta-feira.

A máquina foi encaminhada à delegacia para os procedimentos legais e deverá ser restituída conforme os trâmites previstos na investigação.

A Polícia Civil não divulgou, até o momento, a identidade das pessoas envolvidas no caso. Também não foi informado se houve prisões durante a recuperação do aparelho.

O caso segue sob investigação da 3ª Delegacia de Polícia de Campo Grande, que deverá apurar as circunstâncias dos repasses do equipamento, a tentativa de ocultação e a cobrança de dinheiro para sua devolução, além da eventual responsabilidade de cada pessoa envolvida.

PROMESSA ANTIGA

Shopping Cidade Morena não sai do papel após quase 10 anos em Campo Grande

Empreendimento já teve diferentes prazos para início das obras e inauguração, mudou de endereço e chegou a receber alvará, mas construção segue sem se concretizar na Capital.

01/10/2026 18h29

Área onde está prevista a construção do Shopping Cidade Morena, na Avenida Gury Marques, em Campo Grande.

Área onde está prevista a construção do Shopping Cidade Morena, na Avenida Gury Marques, em Campo Grande. Foto: Reprodução Instagram Shopping Cidade Morena.

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Anunciado como um novo polo de compras, lazer e serviços para uma das regiões mais populosas de Campo Grande, o Shopping Cidade Morena atravessa anos de anúncios, mudanças no projeto e adiamentos sem que a estrutura prometida tenha se consolidado no terreno da Avenida Gury Marques.

A história do empreendimento atual remonta, oficialmente, a fevereiro de 2017. Naquele ano, representantes do grupo paulista Ícone Costa Hirota (ICH) apresentaram à Prefeitura de Campo Grande um projeto inicialmente batizado de Plaza Moreninhas, com capacidade para 124 lojas e previsão de construção em quatro etapas.

O plano era instalar o centro comercial na Moreninha II. Na apresentação feita ao então prefeito Marquinhos Trad, os responsáveis afirmaram que os projetos de arquitetura e marketing já estavam desenvolvidos e que o empreendimento se encontrava na fase de obtenção das licenças e demais documentos.

Na ocasião, o lançamento oficial estava previsto para o segundo semestre de 2017. Depois disso, seriam necessários 42 meses para a execução das etapas até a inauguração. O cronograma, porém, não se concretizou.

Projeto mudou de endereço

Com o passar dos anos, o empreendimento sofreu uma alteração importante. O shopping deixou de ser planejado para o terreno originalmente escolhido na região das Moreninhas e foi transferido para uma área na região do Bairro Centro Oeste, na Avenida Gury Marques, nas proximidades da Avenida dos Cafezais.

O próprio projeto também cresceu e passou a ser divulgado como Shopping Cidade Morena.

Em 2020, o empreendimento voltou a ganhar visibilidade. Outdoors instalados na região anunciavam a chegada do centro comercial, enquanto o terreno permanecia sem obras.

Naquele momento, a proposta divulgada previa um terreno de aproximadamente 63 mil metros quadrados e estrutura significativamente maior do que aquela apresentada à Prefeitura três anos antes.

A mudança de terreno exigiu ainda uma nova etapa de projetos e licenciamentos. Em 2021, registros relacionados ao licenciamento ambiental já apontavam a implantação no novo endereço.

Segundo explicação dada posteriormente por representantes do empreendimento, a localização na Gury Marques foi escolhida principalmente pela maior visibilidade e possibilidade de atender não apenas as Moreninhas, mas bairros de toda a região sul da Capital.

Promessa de inauguração em 2025

Uma nova expectativa surgiu no começo de 2023. Naquele momento, a administração do Shopping Cidade Morena informou que as negociações comerciais haviam começado em outubro de 2022 e que cerca de 20 lojas já estavam confirmadas.

A previsão anunciada era ambiciosa: iniciar a construção nos meses seguintes e inaugurar o empreendimento no primeiro semestre de 2025.

O projeto apresentado naquele período previa aproximadamente 150 operações, entre lojas âncoras, megalojas, restaurantes, fast-foods e lojas satélites.

Também estavam previstos cinema, praça de alimentação com 1,5 mil lugares, estacionamento com cerca de 860 vagas, espaço de eventos e áreas de entretenimento.

Área onde está prevista a construção do Shopping Cidade Morena, na Avenida Gury Marques, em Campo Grande.Projeção mostra como deverá ficar o Shopping Cidade Morena, previsto para a Avenida Gury Marques, em Campo Grande. Foto: Reprodução Instagram Shopping Cidade Morena.

A construção, entretanto, continuava dependendo das autorizações necessárias.

Alvará chegou em 2023

Um dos principais entraves burocráticos parecia ter sido superado em 2023. Em julho daquele ano, o projeto recebeu alvará de construção da Prefeitura de Campo Grande.

A autorização permitia que a empresa avançasse para a implantação efetiva do empreendimento.

Em setembro, a expectativa divulgada era de que as obras começassem ainda no segundo semestre daquele ano.

A ICH chegou a informar que apresentaria, dentro dos três meses seguintes, um cronograma detalhado para a execução da construção.

Isso também não aconteceu dentro do período inicialmente anunciado.

Em janeiro de 2024, meses depois da autorização, o terreno continuava sem um canteiro de obras efetivamente instalado.

À época, a Prefeitura informou que documentos como o alvará de construção e a licença prévia ambiental haviam sido emitidos e que, do ponto de vista dessas autorizações, os trabalhos poderiam começar.

Datas foram novamente adiadas

Em março de 2024, a empresa apresentou outra estimativa. O início da construção ocorreria dentro de nove a 12 meses, entre o segundo semestre daquele ano e o começo de 2025.

A previsão de inauguração também mudou: passou para o segundo semestre de 2026.

Poucos meses depois, em agosto, veio outro adiamento.

A ICH atribuiu a postergação a dificuldades para obter liberações necessárias e informou que projetos complementares de elétrica, hidráulica, exaustão e sistema de ar-condicionado estavam sendo contratados.

O início das obras foi então projetado para o fim de 2024, com a possibilidade de avançar para 2025 caso os projetos exigissem mais tempo.

No entanto, em novembro daquele ano, na área havia vegetação e um outdoor anunciando as “futuras instalações” do empreendimento. Naquele momento, havia ainda uma nova questão burocrática.

A então Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano informou que o licenciamento ambiental havia vencido e que um novo pedido havia sido protocolado em 7 de outubro de 2024.

O alvará de construção, por sua vez, havia sido renovado.

A empresa informou que pretendia apresentar o cronograma oficial na segunda quinzena de janeiro de 2025 e apontou que o começo dos trabalhos dependeria também do encerramento do período de chuvas.

Terreno chegou a ser cercado

No fim de dezembro de 2024, o terreno apresentou uma das primeiras mudanças visíveis dos últimos anos.

A área foi cercada e recebeu uma placa da construtora Maksoud Rahe, apontada como uma das empresas envolvidas na construção.

À época, o investimento previsto foi estimado em cerca de R$ 300 milhões, com expectativa de geração de aproximadamente 2 mil empregos diretos.

Ainda assim, a colocação da estrutura de isolamento não significava, por si só, que a construção do prédio havia começado.

A última previsão pública localizada para o cronograma apontava conclusão no último trimestre de 2026.

O prazo havia sido divulgado em 2024, quando a expectativa ainda era de início das obras entre o fim daquele ano e o começo de 2025.

Atualmente, o site oficial do Shopping Cidade Morena continua ativo e apresenta o endereço do empreendimento como Avenida Gury Marques, 7.176, em Campo Grande.

A página utiliza a expressão “construção em andamento” e mantém aberta a captação de interessados em instalar lojas no futuro centro comercial.

A ficha atualmente divulgada pelo empreendimento prevê 19,4 mil metros quadrados de Área Bruta Locável (ABL) na abertura, com possibilidade de expansão para 28,1 mil metros quadrados.

Outro Cidade Morena também ficou no papel

O nome Shopping Cidade Morena, porém, já havia aparecido em Campo Grande antes do empreendimento da região sul, em um projeto completamente diferente.

Em 2011, um grupo empresarial anunciou a construção de um shopping com o mesmo nome no quadrilátero formado pela Avenida Calógeras e pelas ruas Cândido Mariano, Dom Aquino e 14 de Julho, na região central.

O projeto previa aproximadamente 300 lojas, 85 mil metros quadrados de área construída e 1,3 mil vagas de estacionamento.

Naquele momento, a previsão era começar as obras ainda em 2011 e inaugurar o shopping no início de 2013.

O empreendimento nunca foi construído. Anos depois, o terreno passou a funcionar como estacionamento.

Apesar do nome idêntico, não se trata do mesmo empreendimento atualmente projetado para a Avenida Gury Marques. 

O atual shopping está ligado ao projeto apresentado pelo grupo Ícone Costa Hirota à Prefeitura em 2017, inicialmente denominado Plaza Moreninhas.

Região aguarda empreendimento

A expectativa em torno do Shopping Cidade Morena está diretamente relacionada ao tamanho da população atendida na região sul de Campo Grande.

Desde a apresentação inicial, o projeto é defendido pelos responsáveis como uma alternativa para criar um polo estruturado de comércio, alimentação, serviços e entretenimento distante dos principais centros comerciais já existentes na Capital.

No site oficial, os responsáveis estimam uma área de influência de aproximadamente 250 mil moradores e destacam a distância de cerca de 10 quilômetros até a região central como um dos fatores que justificariam a implantação do empreendimento. Os números são estimativas apresentadas pelo próprio shopping.

Enquanto a construção não avança, moradores da região seguem na expectativa pela concretização do empreendimento.

Além de ampliar as opções de comércio e serviços, o Shopping Cidade Morena é projetado para oferecer espaços de lazer, entretenimento e convivência, com cinema, praça de alimentação e outras operações.

Para uma região distante dos principais shoppings de Campo Grande, a abertura representaria também uma nova alternativa de lazer mais próxima de casa, reduzindo a necessidade de deslocamento para outras áreas da Capital.

Entre apresentação de projetos, mudança de terreno, licenciamento, alvará, renovação de documentos e sucessivas previsões para início dos trabalhos, passaram-se quase dez anos desde a apresentação oficial do Plaza Moreninhas, em 2017.

Agora, em 2026, o empreendimento chega justamente ao período que já foi anunciado como prazo para sua conclusão.

A concretização do projeto, entretanto, depende do avanço efetivo das obras e de um cronograma atualizado dos responsáveis pelo Shopping Cidade Morena.

O que dizem os envolvidos

O Correio do Estado procurou a Prefeitura de Campo Grande para obter informações atualizadas sobre a situação dos alvarás, licenciamentos e eventuais pendências relacionadas ao empreendimento.

A reportagem também entrou em contato com a empresa responsável pelo Shopping Cidade Morena para questionar o estágio atual do projeto, os motivos dos sucessivos adiamentos e a nova previsão para o início e a conclusão das obras.

Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.

 

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