Enquanto o Brasil, em sua totalidade, apresenta um ritmo de crescimento baixo, estados como Mato Grosso do Sul despontam com um dinamismo notável, revelando uma performance econômica que supera em muito a média nacional. A coluna de hoje examina os fatores que explicam essa disparidade de desempenho, revelando escolhas de política econômica e gestão pública que produziram resultados muito diferentes.
O ano de 2023 evidenciou uma notável disparidade no ritmo de crescimento entre a economia brasileira e a sul-mato-grossense. Enquanto o PIB do Brasil registrou um avanço de 3,2%, a economia de Mato Grosso do Sul expandiu-se em impressionantes 13,4% [1]. Este desempenho posicionou o estado com a segunda maior taxa de crescimento do país, sendo 4,1 vezes superior à média nacional. Com um PIB de R$ 184,4 bilhões em 2023, Mato Grosso do Sul consolidou-se como a 15ª economia do Brasil, respondendo por 1,7% do PIB nacional [1].
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Indicador Exclusivo para Assinantes Seguros: Doença do Trabalho gera Indenização por Acidente?O que algumas Seguradoras escondem 26/03/2026 00h05 Compartilhar
Leandro Provenzano Foto: Montagem / Correio do Estado Você contratou um seguro de vida, que também cobre acidentes pessoais, trabalhou anos a fio e, de repente, o corpo cobra a conta: uma LER (lesão por esforço repetitivo) /DORT (distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho), uma lesão grave na coluna ou um esgotamento mental profissional (burnout). Ao acionar a seguradora, você recebe a recusa: "O seguro só cobre acidentes, não doenças." Mas será que essa justificativa é juridicamente aceita? Para o Judiciário brasileiro, a resposta é: NÃO! Neste artigo, vamos explicar por que a doença do trabalho é juridicamente equiparada ao acidente e como você pode reverter uma negativa de indenização da seguradora. O Conceito de Acidente de "Curso Continuado"As seguradoras costumam interpretar o termo "acidente" de forma muito restrita, limitando-o a eventos súbitos e violentos (como uma queda ou colisão). Diferente de um acidente típico, a doença do trabalho é um "acidente de curso continuado". A lesão acontece dia após dia, devido à repetição ou condições insalubres, atingindo o mesmo resultado: a incapacidade do segurado. A Força da Lei 8.213/91O pilar jurídico dessa equiparação está no artigo 20 da Lei nº 8.213/91. O texto legal é claro ao estabelecer que a doença profissional e a doença do trabalho produzem os mesmos efeitos jurídicos que o acidente de trabalho típico. “doença profissional, assim entendida a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social.” “doença do trabalho, assim entendida a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, constante da relação mencionada no inciso.” Embora essa lei seja a base do Direito Previdenciário (INSS), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) aplica esse mesmo raciocínio aos seguros privados. O entendimento é que a natureza da lesão (se súbita ou gradual) não pode excluir o dever de indenizar, desde que a origem seja ocupacional. Doenças que comumente geram Direito ao SeguroMuitos profissionais possuem coberturas de Invalidez Permanente por Acidente (IPA) em suas apólices e não sabem que podem acioná-las para:
Como agir diante da negativa da Seguradora?Se a seguradora negou o pagamento alegando "risco excluído", o segurado não deve desanimar. A análise do Código de Defesa do Consumidor (CDC) é fundamental aqui: as cláusulas que restringem direitos devem ser claras e destacadas. A justiça frequentemente entende que, se a apólice não exclui expressamente (e de forma compreensível ao leigo) a doença do trabalho, a interpretação deve ser favorável ao consumidor. Esse inclusive é o entendimento majoritário no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que é a mais alta corte brasileira quando não há uma afronta à Constituição Federal envolvida no processo. A proteção do seguro existe para amparar o trabalhador no momento da incapacidade, independentemente de o dano ter ocorrido em um segundo ou ao longo de dez anos. Se o trabalho foi a causa da sua lesão, a lei está ao seu lado para garantir a indenização. Além do direito ao recebimento do seguro, caso a pessoa venha a ser aposentada por invalidez, ela pode ter uma série de direitos advindos desta aposentadoria, como por exemplo, a quitação do seu financiamento habitacional, quitação de empréstimos com seguro prestamista, isenção de imposto de renda, caso sua doença seja considerada como “grave” pela lei, bem como outros direitos. Por isso, se você teve a indenização do seguro negada porque, segundo a seguradora, ele só cobre invalidez causada por acidente, não deixe de exigir na justiça que sua doença do trabalho seja considerada como acidente, baseado no entendimento da maioria dos ministros do STJ, pois exercer seus direitos também é exercer sua cidadania. Constantino Rota para o Pacífico: Pesquisas Mapeiam Desafios e Oportunidades do Corredor Bioceânico para MS21/03/2026 00h05 Compartilhar
Michel Constantino Reprodução A Rota Bioceânica é um corredor rodoviário que liga o Oceano Pacífico e o Atlântico passando por Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. As pesquisas sobre os impactos do corredor no Mato Grosso do Sul, Brasil e países desta integração, foram iniciadas a partir de 2015 com o protagonismo dos programas de mestrado e doutorado da Universidade Católica Dom Bosco. Passados 10 anos temos mais de 150 publicações sobre o tema, olhando todas as dimensões do desenvolvimento e seus impactos. O Corredor Bioceânico, projeto que promete encurtar em até 17 dias a rota das exportações brasileiras para a Ásia, representa uma revolução logística para Mato Grosso do Sul. No entanto, seus impactos transcendem a economia, exigindo um olhar atento e estratégico sobre as políticas públicas. Uma análise aprofundada, consolidada a partir de oito dissertações de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Local (PPGDL) da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), foi apresentada pelo Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da instituição, em evento na Escola de Governo (Escolagov). A apresentação, intitulada "Corredor Bioceânico e Políticas Públicas: Desafios e Impactos no Desenvolvimento Local", desdobra a complexidade do projeto em sete dimensões cruciais: educação, migrações, biodiversidade, governança, gestão pública, sustentabilidade e segurança. Os números do Corredor são expressivos. Além da redução no tempo de viagem, estima-se um corte de até 30% nos custos de frete, aumentando a competitividade de produtos como soja, carne e minérios. Contudo, as pesquisas da UCDB alertam que o sucesso da rota não é automático. O Corredor é uma oportunidade histórica, mas o desenvolvimento não virá apenas com o asfalto. Precisamos de políticas públicas inteligentes, baseadas em evidências, para mitigar os riscos e garantir que o crescimento seja sustentável e inclusivo para toda a população de Mato Grosso do Sul. Sete Dimensões Sob a LupaO estudo, que reflete a excelência do PPGDL (nota 7 na CAPES), revela que o progresso traz consigo novas e complexas demandas. Na educação, por exemplo, a pesquisa aponta que a vulnerabilidade social impacta mais o desempenho dos alunos do que a arrecadação municipal, um dado crucial para os municípios que esperam um boom fiscal. Na área ambiental, a dimensão da biodiversidade acende um alerta para o aumento do risco de colisões com animais silvestres, exigindo medidas de mitigação para proteger tanto a fauna quanto a segurança viária. Já a segurança hídrica e a segurança pública enfrentam desafios como a necessidade de ampliar o monitoramento da qualidade da água e gerenciar os riscos associados ao aumento do fluxo de pessoas e mercadorias. A governança surge como pilar central. As pesquisas destacam a urgência de fortalecer a cooperação entre municípios e o Estado, aprimorar a capacidade institucional das prefeituras e criar mecanismos eficazes para monitorar os fluxos migratórios, que hoje carecem de dados precisos. O Papel da Ciência no Desenvolvimento LocalAo conectar os pontos entre economia, sociedade e meio ambiente, a compilação de pesquisas da UCDB oferece um mapa estratégico para gestores públicos. A mensagem final é clara: o Corredor Bioceânico é mais do que uma obra de logística; é um vetor de transformação territorial que exige planejamento, governança e, acima de tudo, conhecimento. O trabalho do PPGDL demonstra o papel fundamental da academia em fornecer as bases científicas para que Mato Grosso do Sul maximize as potencialidades e construa um futuro mais próspero e sustentável a partir dessa nova rota para o Pacífico. MAIS LIDASEXCLUSIVO PARA ASSINANTES ASSINANTES |


