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Coluna do PVC: Corinthians não é tão ruim como parece

Confira a coluna PVC desta segunda-feira (29)

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O Corinthians passou noventa minutos contra o Argentinos Juniors e 50 contra o Fluminense sem chutar nem sequer uma bola na meta do adversário. Maycon, de fora da área, acertou o alvo e obrigou Fábio à sua primeira defesa, aos 5 do segundo tempo.

Nove minutos depois, Roger Guedes marcou e ajudou a sacramentar a primeira vitória de Vanderlei Luxemburgo: Corinthians 2 x 0 Fluminense.

Em nenhum trabalho anterior, o treinador tinha passado sete jogos para conseguir um triunfo.

Há oito meses, com onze titulares que seguem no elenco, o Corinthians venceu o Fluminense por 3 x 0, sob o comando de contestado Vítor Pereira e chutando 15 vezes contra o gol de Fábio, seis no alvo.

Se o mesmo elenco corintiano foi vice-campeão da Copa do Brasil e por um erro de cobrança, nos pênaltis, o fiasco corintiano na atual temporada não pode se dever apenas à qualidade de seus jogadores.

Ainda que seja necessário o alerta de a montagem ter sido desequilibrada e abusando das contratações de ídolos do passado.

Um velho clichê usado por nós, jornalistas, é de que um time precisa de reforços, em toda sequência sem vitórias.

A mudança de desempenho do Corinthians vice-campeão da Copa do Brasil para o atual –e do primeiro para o segundo tempo contra o Fluminense– mostra que há muito mais mistérios dentro de um vestiário do que supõe nossa filosofia.

O São Paulo é o exemplo atual mais bem acabado. Invicto há doze partidas, onze delas sob o comando de Dorival Júnior, o time não tem uma revolução tática, mas de ambiente. Rogério Ceni será um grande treinador quando conseguir ser mais líder do que chefe.

Dorival Júnior recebeu a missão de recuperar o ambiente do vestiário. Não desenhou um losango no meio-de-campo como funcionou no Flamengo, porque percebeu características diferentes em seu grupo de jogadores atual. Já recuperou alguns que pareciam condenados, como Gabriel Neves e Alisson, melhorou Marcos Paulo.

Sob nova direção, o São Paulo marcou 18 vezes e sofreu cinco em onze partidas.

Não é mentira que os técnicos brasileiros perderam terreno nos conceitos teóricos e que hoje os mais modernos bebem da literatura de Portugal, o que faz muita gente querer mudar nomes de posições, de ponta para esterno ou extremo, ao passo que os ingleses seguem chamando de winger, como faziam há cinquenta anos.

Também é fato que os jogadores do Brasil voltam da Europa com a preguiça de trabalhar no mesmo nível exigido lá. O momento atual de Sampaoli, um técnico excelente de resultados risíveis, mostra que o planejamento dos clubes e o respeito pelas etapas de trabalho são muito importantes.

O Palmeiras de Abel Ferreira era criticado há dois anos e chegou à partida em nível de excelência com os acréscimos de treinos e do cardápio de estratégias.

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Seguros: Doença do Trabalho gera Indenização por Acidente?

O que algumas Seguradoras escondem

26/03/2026 00h05

Leandro Provenzano

Leandro Provenzano Foto: Montagem / Correio do Estado

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Você contratou um seguro de vida, que também cobre acidentes pessoais, trabalhou anos a fio e, de repente, o corpo cobra a conta: uma LER (lesão por esforço repetitivo) /DORT (distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho), uma lesão grave na coluna ou um esgotamento mental profissional (burnout). Ao acionar a seguradora, você recebe a recusa: "O seguro só cobre acidentes, não doenças."

Mas será que essa justificativa é juridicamente aceita? Para o Judiciário brasileiro, a resposta é: NÃO! Neste artigo, vamos explicar por que a doença do trabalho é juridicamente equiparada ao acidente e como você pode reverter uma negativa de indenização da seguradora.

O Conceito de Acidente de "Curso Continuado"

As seguradoras costumam interpretar o termo "acidente" de forma muito restrita, limitando-o a eventos súbitos e violentos (como uma queda ou colisão).

Diferente de um acidente típico, a doença do trabalho é um "acidente de curso continuado". A lesão acontece dia após dia, devido à repetição ou condições insalubres, atingindo o mesmo resultado: a incapacidade do segurado.

A Força da Lei 8.213/91

O pilar jurídico dessa equiparação está no artigo 20 da Lei nº 8.213/91. O texto legal é claro ao estabelecer que a doença profissional e a doença do trabalho produzem os mesmos efeitos jurídicos que o acidente de trabalho típico.

doença profissional, assim entendida a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social.

doença do trabalho, assim entendida a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, constante da relação mencionada no inciso.

Embora essa lei seja a base do Direito Previdenciário (INSS), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) aplica esse mesmo raciocínio aos seguros privados. O entendimento é que a natureza da lesão (se súbita ou gradual) não pode excluir o dever de indenizar, desde que a origem seja ocupacional.

Doenças que comumente geram Direito ao Seguro

Muitos profissionais possuem coberturas de Invalidez Permanente por Acidente (IPA) em suas apólices e não sabem que podem acioná-las para:

  • LER/DORT: Lesões por esforços repetitivos comuns em bancários e digitadores.

  • Problemas de Coluna: Hérnias e discopatias degenerativas agravadas pelo esforço físico (comuns no agronegócio).

  • Síndrome de Burnout: Quando o esgotamento profissional gera incapacidade total ou parcial. Presente em qualquer tipo de trabalho.

  • Perda Auditiva: Causada pelo ruído contínuo no ambiente laboral.

Como agir diante da negativa da Seguradora?

Se a seguradora negou o pagamento alegando "risco excluído", o segurado não deve desanimar. A análise do Código de Defesa do Consumidor (CDC) é fundamental aqui: as cláusulas que restringem direitos devem ser claras e destacadas.

A justiça frequentemente entende que, se a apólice não exclui expressamente (e de forma compreensível ao leigo) a doença do trabalho, a interpretação deve ser favorável ao consumidor. Esse inclusive é o entendimento majoritário no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que é a mais alta corte brasileira quando não há uma afronta à Constituição Federal envolvida no processo.

A proteção do seguro existe para amparar o trabalhador no momento da incapacidade, independentemente de o dano ter ocorrido em um segundo ou ao longo de dez anos. Se o trabalho foi a causa da sua lesão, a lei está ao seu lado para garantir a indenização.

Além do direito ao recebimento do seguro, caso a pessoa venha a ser aposentada por invalidez, ela pode ter uma série de direitos advindos desta aposentadoria, como por exemplo, a quitação do seu financiamento habitacional, quitação de empréstimos com seguro prestamista, isenção de imposto de renda, caso sua doença seja considerada como “grave” pela lei, bem como outros direitos.

Por isso, se você teve a indenização do seguro negada porque, segundo a seguradora, ele só cobre invalidez causada por acidente, não deixe de exigir na justiça que sua doença do trabalho seja considerada como acidente, baseado no entendimento da maioria dos ministros do STJ, pois exercer seus direitos também é exercer sua cidadania.

Constantino

Rota para o Pacífico: Pesquisas Mapeiam Desafios e Oportunidades do Corredor Bioceânico para MS

21/03/2026 00h05

Michel Constantino

Michel Constantino Reprodução

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A Rota Bioceânica é um corredor rodoviário que liga o Oceano Pacífico e o Atlântico passando por Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. 

As pesquisas sobre os impactos do corredor no Mato Grosso do Sul, Brasil e países desta integração, foram iniciadas a partir de 2015 com o protagonismo dos programas de mestrado e doutorado da Universidade Católica Dom Bosco. Passados 10 anos temos mais de 150 publicações sobre o tema, olhando todas as dimensões do desenvolvimento e seus impactos.

O Corredor Bioceânico, projeto que promete encurtar em até 17 dias a rota das exportações brasileiras para a Ásia, representa uma revolução logística para Mato Grosso do Sul. No entanto, seus impactos transcendem a economia, exigindo um olhar atento e estratégico sobre as políticas públicas.

Uma análise aprofundada, consolidada a partir de oito dissertações de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Local (PPGDL) da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), foi apresentada pelo Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da instituição, em evento na Escola de Governo (Escolagov).

A apresentação, intitulada "Corredor Bioceânico e Políticas Públicas: Desafios e Impactos no Desenvolvimento Local", desdobra a complexidade do projeto em sete dimensões cruciais: educação, migrações, biodiversidade, governança, gestão pública, sustentabilidade e segurança.

Os números do Corredor são expressivos. Além da redução no tempo de viagem, estima-se um corte de até 30% nos custos de frete, aumentando a competitividade de produtos como soja, carne e minérios. Contudo, as pesquisas da UCDB alertam que o sucesso da rota não é automático.

O Corredor é uma oportunidade histórica, mas o desenvolvimento não virá apenas com o asfalto. Precisamos de políticas públicas inteligentes, baseadas em evidências, para mitigar os riscos e garantir que o crescimento seja sustentável e inclusivo para toda a população de Mato Grosso do Sul.

Sete Dimensões Sob a Lupa

O estudo, que reflete a excelência do PPGDL (nota 7 na CAPES), revela que o progresso traz consigo novas e complexas demandas. 

Na educação, por exemplo, a pesquisa aponta que a vulnerabilidade social impacta mais o desempenho dos alunos do que a arrecadação municipal, um dado crucial para os municípios que esperam um boom fiscal.

Na área ambiental, a dimensão da biodiversidade acende um alerta para o aumento do risco de colisões com animais silvestres, exigindo medidas de mitigação para proteger tanto a fauna quanto a segurança viária. 

Já a segurança hídrica e a segurança pública enfrentam desafios como a necessidade de ampliar o monitoramento da qualidade da água e gerenciar os riscos associados ao aumento do fluxo de pessoas e mercadorias.

A governança surge como pilar central. As pesquisas destacam a urgência de fortalecer a cooperação entre municípios e o Estado, aprimorar a capacidade institucional das prefeituras e criar mecanismos eficazes para monitorar os fluxos migratórios, que hoje carecem de dados precisos.

O Papel da Ciência no Desenvolvimento Local

Ao conectar os pontos entre economia, sociedade e meio ambiente, a compilação de pesquisas da UCDB oferece um mapa estratégico para gestores públicos. A mensagem final é clara: o Corredor Bioceânico é mais do que uma obra de logística; é um vetor de transformação territorial que exige planejamento, governança e, acima de tudo, conhecimento.

O trabalho do PPGDL demonstra o papel fundamental da academia em fornecer as bases científicas para que Mato Grosso do Sul maximize as potencialidades e construa um futuro mais próspero e sustentável a partir dessa nova rota para o Pacífico.
 

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